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Brasil

Incidência de sífilis explode na China, revela estudo

Arquivo Geral

12/01/2007 0h00

A sífilis, look web doença que praticamente tinha sido erradicada na China entre as décadas de 1960 e 1980, está de volta com força total ao país, e é necessária uma intervenção urgente para conter a epidemia, afirmaram pesquisadores na China e nos Estados Unidos. Em estudo que será publicado na edição de 13 de janeiro da revista Lancet, os cientistas afirmaram que a incidência total de sífilis subiu de menos de 0,2 caso para cada 100 mil pessoas em 1993 para 6,5 casos por 100 mil pessoas em 1999.

"A sífilis voltou à China com força total. Os dados demonstram uma epidemia de sífilis de tal alcance e magnitude que exigirá um empenho enorme para intervir", disse o pesquisador Myron S. Cohen, diretor do Centro de Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina do Norte.

Quando o Partido Comunista assumiu o poder em 1949, a China sofria uma das maiores epidemias de sífilis da história da humanidade. O governo lançou uma campanha prolongada para eliminar doenças sexualmente transmissíveis. O estudo ligou o ressurgimento da sífilis a reformas econômicas e à globalização da China.

"Essas mudanças levaram a defasagens de renda e a um clima cultural que favorece o ressurgimento da prostituição, devido à existência de uma maioria significativa de homens e de uma grande população migrante de trabalhadores masculinos", disse o estudo. "A mudança de práticas sociais, como o fato de as pessoas experimentarem o sexo mais cedo e antes do casamento, além do aumento nos custos da assistência individual à saúde, também contribui."

Das três categorias da doença – primária, secundária e terciária -, as duas primeiras representaram 5,7 casos por 100 mil pessoas em 2005. Essa incidência é significativamente maior que na maioria dos países desenvolvidos. Os Estados Unidos registraram 2,7 casos de sífilis primária e secundária por 100 mil habitantes em 2004. Os cientistas basearam suas pesquisas em dados coletados pelo sistema de vigilância nacional de doenças sexualmente transmissíveis da China.

Segundo Cohen, também é alarmante a incidência da sífilis congênita. Ela subiu de 0,01 caso para 100 mil nascimentos vivos em 1991 para 19,68 casos por 100 mil nascimentos em 2005, uma média anual de 71,9% de aumento. A sífilis congênita acontece quando uma mulher grávida com sífilis transmite a infecção para o bebê. Muitos casos resultam em aborto espontâneo ou em bebês natimortos, e as crianças que sobrevivem podem ter graves problemas no cérebro, no fígado e em outros órgãos.

Em 1964, a sífilis já havia se tornado muito rara na China e ficou praticamente inexistente nos 20 anos seguintes. O problema é que, por isso, a população em geral não tem imunidade natural contra a doença.

O levantamento ressaltou que a sífilis também eleva o risco de transmissão do HIV, o vírus que causa a Aids. A sífilis é tratável com antibióticos. Se não for tratada, pode causar graves problemas ao sistema nervoso, ao coração e ao cérebro, e pode ser fatal.

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