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Homem preso por foto de 15 anos atrás é solto, mas segue acusado de roubo

Liberado por uma decisão judicial do presídio de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (13)

Por FolhaPress 13/09/2021 6h24
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcela Lemos
RIO DE JANEIRO, RJ

O motorista de aplicativo e montador de móveis Jefferson Pereira da Silva, 29, ficou preso durante cinco dias após ser acusado de roubo à mão armada com base em uma foto 3×4 de quando tinha 14 anos. Liberado por uma decisão judicial do presídio de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (13), ele lamentou em entrevista à reportagem que o processo contra ele ainda não tenha acabado.

“Vou precisar ainda participar de audiências”, afirma. Preso desde o último dia 8, Silva é o terceiro homem negro a deixar a cadeia no Rio nos últimos 15 dias após questionamentos sobre reconhecimentos fotográficos nos processos.
A prisão de Silva foi substituída por medidas cautelares e ele vai responder ao processo em liberdade.

Silva só soube que era investigado pela Polícia Civil oito meses após o registro do roubo pelo qual é suspeito, em 4 de fevereiro de 2019. Durante uma abordagem policial, ele foi informado que deveria comparecer a uma delegacia porque seu nome era citado em um inquérito.

Espontaneamente, Silva se apresentou para prestar depoimento com a intenção de provar ter sido confundido com outra pessoa. Mesmo após se apresentar na unidade, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) pediu a prisão preventiva dele em 15 de outubro de 2019.

No último dia 8, Silva foi chamado a comparecer a um shopping no bairro de Del Castilho, também na zona norte, para receber uma rescisão trabalhista referente ao ano de 2015. Chegando ao local, não havia funcionários da empresa, apenas policiais civis que deram voz de prisão. À reportagem, ele disse que, mesmo assim, achou que não ficaria preso.

O crime do qual Silva é acusado ocorreu em 4 de fevereiro de 2019 no bairro do Jacaré, também zona norte do Rio. A vítima só relatou o ocorrido à Polícia Civil 21 dias depois. Ela disse que teve o celular e R$ 5 roubados por dois homens em uma moto.

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Ao ir à delegacia, a pessoa abordada reconheceu o motorista como um dos autores após ver uma foto dele no tamanho 3×4 apresentada pela polícia. A imagem, porém, mostra Silva com 14 anos de idade. O advogado de defesa, Carlos Dutra, quer não só provar a inocência do motorista, mas também saber como a fotografia foi parar nos arquivos da Polícia Civil, sendo que Silva não tem antecedentes criminais.

A defesa do motorista também questiona o mandado de prisão preventiva cumprido contra ele. “A preventiva só pode ser decretada quando houver risco à ordem pública, econômica ou se o acusado continuasse a cometer as mesmas condutas -o que não é o caso”, disse.

Nos últimos 15 dias, outros dois homens negros, também presos após reconhecimento facial, foram soltos. O produtor cultural Gustavo Nobre passou um ano preso após ser condenado por um roubo na zona sul do Rio, que, agora, a Justiça reconhece que ele não cometeu. Ele foi reconhecido injustamente por uma fotografia extraída das redes sociais pela própria vítima. Nobre deixou a cadeia no dia 1º de setembro.

Já o cientista de dados de uma multinacional Raoni Lázaro Barbosa, 34, foi solto no dia 9 de setembro após passar 22 dias preso sob acusação de integrar uma milícia em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele nunca esteve na cidade e deixou a prisão após a polícia reconhecer que prendeu o homem errado.

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À reportagem, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que já recomendou às delegacias que não utilizem apenas fotografias no processo de reconhecimento de suspeitos.






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