CLAYTON CASTELANI
FOLHAPRESS
O retrospecto dos últimos dez anos de grandes eventos na avenida Paulista, sem falhas de segurança consideradas graves, favorece o pedido da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para que o Ministério Público de São Paulo autorize a realização de novos megashows gratuitos na via que é um cartão-postal da cidade.
A atual administração divulgou recentemente sua intenção de promover no segundo semestre de 2026 um evento em São Paulo nos moldes das apresentações de Madonna e Lady Gaga na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Desde 2007, um acordo firmado entre o município e o Ministério Público limita a três o número de grandes eventos. Atualmente, a prefeitura utiliza essa liberação para a celebração de Ano-Novo, a corrida de São Silvestre e a Parada do Orgulho LGBT+.
O chamado TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) foi a saída encontrada pela Promotoria de Habitação e Urbanismo para mediar o conflito entre moradores e empreendedores locais e o interesse do município e de parte da população em utilizar o local para atividades com grande participação de público.
De olho no potencial de ganhos arrecadatórios e para algumas atividades econômicas como no setor de hospedagens, a gestão Nunes pediu uma modificação no TAC para a inclusão de mais três megaeventos anuais, elevando a cota para seis.
O número foi considerado exagerado pelo promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos, responsável por analisar o caso com base na legislação municipal e no chamado princípio jurídico da razoabilidade ou seja, os atos administrativos devem evitar abusos de poder e não podem exigir sacrifícios intoleráveis de direitos.
Ramos estuda, porém, a possibilidade de uma grande apresentação neste ano, que funcionaria como um evento-teste.
Um segundo show poderia ser acrescentado a partir de 2027. Desta forma, a avenida Paulista seria fechada para carros no futuro em cinco ocasiões. Não entram na conta do TAC as manifestações políticas e o uso exclusivo para pedestres da via aos domingos e feriados.
Dois pedidos da Promotoria foram apresentados à prefeitura. O primeiro é sobre a inclusão das estações do metrô no projeto para liberação gradual de acesso à avenida em caso de superlotação de trechos.
Da forma como ocorre nos eventos realizados até agora, as ruas que dão acesso à Paulista são completamente bloqueadas para o público quando há excesso de público. O Ministério Público pediu que o mesmo princípio seja aplicado ao metrô. Nesse caso, as estações que dão acesso direto à avenida poderiam ser fechadas.
Outro ponto considerado fundamental para a alteração do TAC é que os eventos sejam encerrados até as 23h.
Em linhas gerais, a avaliação preliminar da Promotoria é de que os eventos pretendidos pela gestão Nunes não irão resultar em mobilização de público superior ao que já ocorre nas ocasiões como festa de Ano-Novo e a Parada LGBT+.
“O Ministério Público está estudando esse pleito levando em consideração, principalmente, a preservação da mobilidade urbana, a segurança de todos os envolvidos e a observação à legislação”, disse Ramos à Folha. “Esse estudo visa uma solução consensual entre o município e o melhor interesse da cidade.”
Com a liberação ainda sob análise, a prefeitura disse que o artista para a primeira apresentação não foi escolhido. Entre os nomes preferidos dentro da gestão municipal, foram citados a cantora Adele e as bandas U2, Foo Fighters e Rolling Stones.