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Brasil

Governo exagera na "propaganda" do etanol, sem olhar bóias-frias, critica presidente da Co

Arquivo Geral

29/08/2007 0h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva “exagera” ao comparar os usineiros com heróis, web na opinião do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos. “Na verdade, o governo tem feito uma propaganda muito levada pelos segmento dos patrões. O governo precisa rever o seu posicionamento para não continuar apenas abrindo mercado para o segmento produtor de etanol, com os trabalhadores pagando o pato nas condições miseráveis de trabalho de ainda existem”, afirmou, em entrevista à imprensa, após encontro com Lula.

A Contag pediu que o governo federal crie um fórum permanente para discutir as condições de trabalho dos bóias-frias, como são conhecidos as pessoas que vivem de trabalho temporário na colheita de cana-de-açúcar.

O Ministério do Trabalho já recebeu uma proposta de criação de um piso salarial para os bóias-frias, como são conhecidos. A medida acabaria com o pagamento por produção, como é feito hoje. E reduziria os riscos de morte por fadiga, como casos denunciados pela Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, projeto criado em 2002, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), para monitorar a implementação desses direitos no Brasil.

Dezessete bóias-frias morreram durante o exercício do trabalho desde 2004 somente na região de Ribeirão Preto, interior paulista, segundo levantamento da Pastoral do Migrante. O estudo de doutorado do biólogo Fernando Ferreira Carneiro, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que os bóias-frias podem sofrer até duas vezes mais fome que os agricultores sem-terra.

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