O governo federal decidiu hoje que mais usinas termelétricas de geração de eletricidade entrarão em funcionamento nos próximos dias para amenizar problemas de abastecimento de energia elétrica provocados pela falta de chuvas.
Em declarações a jornalistas, ask o ministro interino de Minas e Energia, link Nelson Hubner – que deixou o cargo hoje -, disse que o Sistema Interligado Nacional (SIN) receberá mais 1.200 megawatts (MW) de origem termelétrica, além dos 700 MW que entraram recentemente.
Hubner foi ministro interino durante os últimos oito meses e entregou o cargo hoje para o senador Edison Lobão (PMDB-MA), que foi designado na quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da pasta.
Em suas primeiras declarações como ministro de Minas e Energia, Lobão assinou embaixo do discurso oficial de que não há risco de apagão.
O governo Lula está sob pressão da imprensa, de empresários e de especialistas que temem um novo racionamento de energia como o que ocorreu entre 2001 e 2002, ainda no mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Hubner admitiu que, apesar de recentes chuvas, não há a certeza de que o nível das represas das usinas hidrelétricas vai subir.
“Mesmo com a meteorologia apontando para uma melhoria significativa, serão mantidas em operação o maior número possível de usinas termelétricas”, disse.
O ministério de Minas e Energia deu ordens à Petrobras para que a empresa substitua parte de seu consumo de gás natural em refinarias com o objetivo de liberar combustível para ser usado na geração de eletricidade no SIN.
A medida aumenta a oferta de energia em 750 MW, “que devem começar a chegar na semana que vem”, disse Hubner.
Além disso, o ministério vai obter nova energia de reserva para o SIN para garantir o abastecimento no país a partir de projetos de geração que ainda não entraram em operação comercial.
Segundo um decreto oficial publicado hoje, o primeiro leilão para contratação de energia de reserva será realizado no dia 30 de abril, e deve incorporar 2.000 MW adicionais à oferta energética.
O governo federal também determinou que a usina termelétrica de Cuiabá passará a funcionar com óleo em lugar de gás natural, que vem da Bolívia.
A usina de Cuiabá enfrenta problemas de funcionamento por causa de dificuldades envolvendo a oferta do gás boliviano.
Hubner explicou que, caso o ciclo de chuvas seja propício, algumas termelétricas poderão ser desligadas já em fevereiro.
Entretanto, o Governo se propõe a deixar algumas funcionando – as de operação mais barata – até que seja possível garantir que os níveis das represas hidrelétricas chegarão no final do ano em boas condições, para assim evitar novos riscos em 2009.