Soberano no vôlei mundial nos últimos anos, o Brasil teve como principais adversários neste Mundial do Japão seleções oriundas do centro e do leste da Europa. Polônia, República Tcheca, Sérvia e Montenegro e Bulgária mostraram força e ocuparam o lugar de equipes tradicionalmente fortes, como Rússia e, sobretudo, Itália.
No entanto, a ascensão destes times – ao lado da França – não se configurou como uma novidade para alguns dos mais importantes personagens ligados ao vôlei nacional. Atual técnico do Cimed/Florianópolis, Renan Dal Zotto destacou que estes times sempre tiveram força, mas aproveitaram a brecha deixada por alguns ‘gigantes’ para surpreender neste Mundial.
“Esses países, como a Polônia e a própria República Tcheca, sempre tiveram um vôlei muito bom. Só que o que aconteceu neste ano foi que a Itália caiu demais. Sempre se espera que os italianos venham bem, mas neste Mundial eles tiveram uma queda monstro”, disse o treinador.
Outro que não viu novidade na ascensão dos países do leste europeu foi Jorge Schmidt, brasileiro que dirigirá a seleção de Portugal a partir do próximo ano. “Não é novidade que essas equipes do antigo Leste Europeu tivessem tão bem. A Bulgária, por exemplo, é uma escola no vôlei”, afirmou o técnico, que ainda destacou o histórico recente da França, outra novidade na competição. “Os franceses estiveram bem na última Olimpíada e na Liga Mundial”.
O destaque para essas novas forças, no entanto, não deve ameaçar o posto do Brasil como a principal potência do vôlei no mundo. Ao menos, essa é a opinião de Giovane Gavio, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.
“Hoje em dia tem se falado muito no crescimento de seleções como a Bulgária e a Polônia. Mas esta vitória brasileira comprovou que a equipe tem uma preparação física e técnica muito melhor”, afirmou o ex-jogador, que destacou ainda o trabalho de Bernardinho no comando da seleção brasileira.
“O trabalho que o Bernardinho vem desenvolvendo é cada vez melhor e só traz resultados positivos à seleção. Não existem dois Bernadinhos no mundo. E a qualidade que ele tem e traz para a seleção é única, o que coloca o Brasil em destaque no vôlei”, disse Giovane.