Os adolescentes nascidos a partir de 1990 não conhecem um mundo no qual ainda não era possível navegar pela internet e podem ter, portanto, uma visão distorcida da realidade e de sua própria identidade, afirmou o psiquiatra Himanshu Tyagi na reunião anual do Real Colégio de Psiquiatras do Reino Unido. Ele se referiu a uma recente onda de suicídios de adolescentes em Bridgend, no Reino Unido, e explicou que os suicidas tinham em comum o fato de utilizar a internet para se comunicar, segundo informa hoje o jornal “The Daily Telegraph”. “É um mundo no qual tudo acontece muito rápido, em que tudo muda continuamente e no qual basta clicar com o mouse do computador para colocar fim a uma relação”, disse o psiquiatra. “Um mundo no qual uma pessoa pode apagar seu próprio perfil se não gostar dele, e mudar num instante sua identidade por outra mais aceitável”, acrescentou Tyagi. Segundo o especialista, “as pessoas acostumadas à velocidade das relações sociais na internet podem achar monótono o mundo atual, o que poderia levá-las a comportamentos mais extremos na busca de excitações”. “Quando não se vê a expressão da outra pessoa, sua linguagem corporal ou não se ouve as sutis alterações na voz, é lógico que muda a forma de perceber essa interação”, acrescentou Tyagi. Ele reconheceu, no entanto, que o mundo virtual tem também suas vantagens, como a não discriminação – é um mundo no qual a riqueza, a raça e o sexo têm menor importância- e a perda de fronteiras geográficas. “Ninguém é um pária na rede”, disse o psiquiatra, segundo o qual a internet contribui para eliminar, em grande medida, as hierarquias do mundo real.
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