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Brasil

Garimpo ilegal na Terra Yanomami reduz 98,9% após dois anos de ações federais

Operações integradas causaram prejuízos de mais de R$ 663 milhões às estruturas criminosas, com bloqueio de rotas e destruição de equipamentos

Redação Jornal de Brasília

10/03/2026 15h18

garimpo ilegal

Imagem: CGIIRC/Funai

Um garimpeiro relatou à Polícia Federal a dificuldade crescente de acessar a Terra Indígena Yanomami devido à presença constante das forças federais. Essa mudança reflete os resultados de dois anos de operações intensivas contra o garimpo ilegal na região, iniciadas em janeiro de 2023 após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Roraima. Na ocasião, o cenário foi descrito como uma grave emergência sanitária e humanitária, com avanço do garimpo, aumento de malária, desnutrição e invasores na área indígena.

O Governo Federal respondeu com medidas permanentes para restabelecer a presença do Estado. Em fevereiro de 2024, foi criada a Casa de Governo em Roraima pelo Decreto nº 11.930, coordenando ações integradas de órgãos como Polícia Federal, Funai, Ibama e Forças Armadas. Anteriormente, em janeiro de 2023, o Decreto nº 11.405 estabeleceu a Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA 41) para controle de voos suspeitos sobre a região.

As operações em 2024 focaram na interrupção da logística do garimpo, com monitoramento de rios como Uraricoera, Mucajaí, Couto Magalhães e Catrimani via imagens de satélite do Censipam. Foram realizadas 3.547 ações, resultando na apreensão de 226 quilos de mercúrio em Bomfim, 32 quilos de ouro pela PF e PRF, e na inutilização de 1.095 motores, 129 mil litros de óleo diesel, 22 aeronaves e 421 acampamentos, gerando prejuízos de R$ 267 milhões no primeiro ano.

A Força Nacional mantém presença em bases como Parafuri, Parima e outras 15 localidades para proteger comunidades e equipes de saúde. A Funai acumulou 2.466 horas de voo em missões de fiscalização e monitoramento aéreo.

Em 2025, as ações se ampliaram, com patrulhas fluviais pela Marinha no rio Catrimani e fiscalização de pistas pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II. A inauguração do Destacamento Especial de Fronteira (DEF) de Waikás em janeiro reforçou o controle no rio Uraricoera. Nesse ano, foram inutilizados 836 motores, 337 acampamentos, 19 aeronaves, 10 quadriciclos e apreendidos 215 quilos de ouro pela PRF.

O balanço de dois anos, de março de 2024 a março de 2026, registra 9.623 ações, inutilização de 808 acampamentos, 2.050 motores, 46 aeronaves, 10 dragas e 185 antenas de satélite, além de 191 toneladas de cassiterita. Os prejuízos totais superam R$ 663 milhões, levando a uma redução de 98,9% na área de garimpo ativo. A estratégia envolve presença permanente, bloqueio logístico e integração de instituições como Força Nacional, PF, PRF, Funai, Ibama e Abin, com fiscalizações também no entorno da terra indígena. As informações foram retiradas do Governo Federal.

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