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Funcionários reclamam que diretor furou fila da vacinação em hospital municipal de SP

Os servidores afirmam que parte dos profissionais que trabalha em UTIs e no chamado “covidário” ficaram sem receber a vacina

Vacina CoronaVac no HUB. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília Vacina CoronaVac no HUB. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Aline Mazzo
São Paulo, SP

Funcionários do Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista (zona leste da capital paulista), acusam o diretor da unidade e dois enfermeiros do setor administrativo de furar a fila da vacinação contra a Covid-19 e receberem o imunizante mesmo sem atuar diretamente no atendimento a pacientes contaminados.

Os servidores afirmam que parte dos profissionais que trabalha em UTIs e no chamado “covidário” -locais que reúnem pacientes contaminados internados- ficaram sem receber a vacina.

O médico Carlos Alberto Velucci, diretor do hospital, a enfermeira Licia Figueiredo, que trabalha na diretoria e é responsável por receber os EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais), e o enfermeiro Roger Rabelo, chefe do setor de imunização do hospital foram vacinados contra a Covid-19 na quinta-feira (21).

Carlos Alberto e Licia chegaram a publicar em suas redes sociais fotos celebrando a aplicação da vacina contra Covid-19.

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Como a capital não recebeu todas as doses necessárias para imunizar os grupos prioritários, assim como o restante do país, a Secretaria Municipal da Saúde definiu que entre os profissionais de saúde o público-alvo seria aqueles que estivessem na assistência direta aos pacientes de Covid-19.

Documentos distribuído pela pasta na última segunda (18) determina que em hospitais públicos e privados a vacina seja destinada a “médicos, enfermagem das enfermarias e UTI Covid-19 e PS para sintomáticos respiratórios (Covidário)”, diz trecho do informativo.

A mesma orientação foi repetida pelo secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, à Folha na última terça-feira.

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Mas cinco funcionários do hospital ouvidos pela reportagem informaram que o diretor e os enfermeiros não fazem qualquer tipo de atendimento a pacientes nem frequentam áreas do pronto-socorro. A Secretaria Municipal da Saúde nega.

Os funcionários ainda relatam que profissionais como os AGPPs (Agentes de Gestão de Políticas Públicas), que cuidam de serviços administrativos -como a papelada de internação, transferências e prontuários de pacientes- nas UTIs e enfermarias de atendimento a pacientes com Covid não foram vacinados.

Ficaram ainda sem vacina, segundo os funcionários, técnicos de eletrocardiograma e de raio-X do hospital, bem como parte dos trabalhadores das áreas de segurança, limpeza e portaria.

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Outro lado A Secretaria Municipal da Saúde informou, por meio de nota, que os funcionários citados pela reportagem, além de funções administrativas também “realizam visitas/inspeções nas alas/locais onde são feitas a assistência direta a pacientes com Covid-19 (enfermarias e UTIs Covid-19)”.

A pasta também afirmou que segue rigorosamente as orientações dos programas estadual e nacional de imunização e todos hospitais receberam instrutivo sobre quem deveria ser vacinado nessa primeira fase.

“A gestão municipal adotou um sistema rigoroso de controle de distribuição e imunização para garantir que os profissionais que atuam na linha de frente, em contato direto com os pacientes diagnosticados com a Covid-19, sejam vacinados”, diz trecho da nota.

A secretaria destaca ainda que as vacinas serão dadas de forma escalonada “às demais categorias e profissionais que não estão na assistência direta a Covid-19, conforme o repasse de dose pelo Programa Nacional de Imunização.”

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A reportagem tentou entrar em contato com o diretor e os enfermeiros desde a sexta (22), mas só localizou Licia, que preferiu não dar declarações a respeito da vacinação.

As informações são da Folhapress

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