As porções isoladas de vegetação nativa no Brasil cresceram 260% em 38 anos, passando de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023, conforme estudo do Mapbiomas divulgado nesta quarta-feira (13). O aumento reflete o processo de fragmentação causado pelo desmatamento, que divide grandes áreas contínuas em pequenos remanescentes.
Os dados, obtidos pelo Módulo de Degradação da plataforma Mapbiomas, revelam também a redução no tamanho médio dos fragmentos, de 241 hectares em 1986 para 77 hectares em 2023. Segundo o pesquisador Dhemerson Conciani, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), essa diminuição afeta diretamente a biodiversidade, aumentando riscos de extinções locais, reduzindo chances de recolonização e ampliando o efeito de borda nas margens das áreas degradadas.
Quase 5% da vegetação nativa brasileira, equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. Esses pequenos porções são mais presentes na Mata Atlântica, onde representam 28% da vegetação remanescente, ou 10 milhões de hectares. Em quantidade absoluta, Mata Atlântica e Cerrado lideram, com 2,7 milhões de fragmentos cada.
A fragmentação variou por bioma: Pantanal e Amazônia registraram os maiores aumentos percentuais, de 350% e 332%, respectivamente, seguidos por Pampa (285%) e Cerrado (172%). Na Caatinga e Mata Atlântica, o crescimento foi de 90% e 68%. Na Amazônia, os fragmentos encolheram 82%, com tamanho médio caindo de 2.727 hectares para 492 hectares. Os números de fragmentos em 2023 foram: Amazônia (662 mil), Caatinga (600 mil), Pampa (324 mil) e Pantanal (45 mil).
O Módulo de Degradação permitiu identificar distúrbios no dossel florestal da Amazônia Legal entre 1988 e 2024, afetando 24,9 milhões de hectares (7% da cobertura florestal), incluindo clareiras por secas, ventos, incêndios, corte seletivo e outros fatores. Desses, 9,7 milhões de hectares mostram indícios de corte seletivo de madeira.
No total, 24% da vegetação nativa remanescente do Brasil, ou 134 milhões de hectares, está exposta a pelo menos um vetor de degradação, como fragmentação, efeito de borda, fogo e corte seletivo. Conciani destaca que o monitoramento precoce pode reverter processos degradativos e subsidiar políticas públicas para conservação e redução de emissões de gases de efeito estufa.