No Dia do Fotógrafo, celebrado em 8 de janeiro, profissionais da área compartilham reflexões sobre o avanço da inteligência artificial (IA) no campo do fotojornalismo. Eles concordam que, embora a tecnologia traga agilidade, ela não pode substituir a sensibilidade, a ética e a subjetividade humana essenciais para capturar imagens que constroem a memória coletiva.
Joédson Alves, gerente executivo de Imagem, Arte e Web da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com 35 anos de profissão, recorda um momento emocionante durante a cobertura da seca no Nordeste na década de 1990. Ao ouvir o relato de uma mãe que perdeu dois filhos para a fome em Irecê (BA), ele priorizou uma abordagem sensível para registrar a cena, visando sensibilizar o público. Para Alves, em uma agência pública como a EBC, o fotógrafo é fundamental para garantir o direito à informação. “A combinação entre conhecimento técnico, responsabilidade social e inovação tecnológica fortalece a credibilidade da informação”, afirma.
Lourenço Cardoso, professor de Fotojornalismo no Centro Universitário de Brasília (Ceub), destaca como a digitalização democratizou a fotografia, expandindo sua produção além de privilégios econômicos. Ele enfatiza que, após dominar os equipamentos, o verdadeiro valor da fotografia reside na subjetividade. “Ela é, antes de tudo, um resultado de subjetividade”, diz Cardoso, alertando que imagens geradas por IA, baseadas em dados existentes, carecem de inovação e impressão pessoal.
Ricardo Stuckert, fotógrafo com mais de 30 anos de experiência e atual secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual do governo federal, reforça que as fotos não apenas documentam eventos, mas capturam a essência e a emoção da realidade. “Com o avanço das tecnologias, especialmente a inteligência artificial, a presença do fotógrafo se torna ainda mais importante”, argumenta. Para ele, registrar imagens é um ato de resistência contra a desinformação e uma forma de preservar a memória coletiva.
Os profissionais reconhecem benefícios da IA, como a agilidade em coberturas desafiadoras, desde que não elimine a ação humana. Fabricantes de equipamentos estão implementando medidas para autenticar imagens reais. Cardoso compara o debate atual ao da mecanização passada, que não extinguiu a fotografia, provando que a subjetividade humana permanece insubstituível para criar imagens impactantes e mobilizadoras.