Além dos holofotes que cercam os cinco dias da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), more about que começa hoje (1º), há um esforço, durante todo o ano, de formação de novos leitores e valorização do patrimônio local. O resultado do trabalho de 7 mil alunos da rede de ensino de Paraty nas oficinas literárias e de artes plásticas deságua na Flipinha, destinada exclusivamente ao público infantil.
“A Flipinha não é somente um evento dentro da Flip. É um projeto educativo desenvolvido ao longo do ano. Duas linhas são fundamentais para os idealizadores: o incentivo à leitura e a valorização do patrimônio material e imaterial de Paraty”, disse, em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora-geral da Flipinha, Cristina Maseda.
A EBC – Empresa Brasil de Comunicação fará a cobertura dos eventos da Flip, com notícias diárias na Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Nacional.
O contato com os livros é estimulado nas oficinas literárias. Em 2009, o projeto Mediação de Leitura atingiu 5 mil alunos de 12 escolas da cidade. Durante esta Flipinha, professores serão capacitados como mediadores para que o projeto não perca fôlego.
Crianças e adolescentes de Paraty cuidam ainda dos preparativos da festa. Máscaras e bonecos de papel machê com os rostos de escritores infanto-juvenis e de seus personagens são exibidos na Praça da Matriz e em outros pontos de visitação da cidade. O material é produzido nas oficinas de cenografia e ilustração das quais participam artistas locais.
Seguindo os passos da Flip, a Ciranda dos Bonecos da Flipinha também vai homenagear o poeta pernambucano Manuel Bandeira com personagens de sua obra espalhados por Paraty. Além dos bonecos de papel machê, outro destaque da Flipinha é a instalação da biblioteca voltada para o público infantil na Praça da Matriz.
Uma tenda abrigará, nos dias da festa, leituras de textos infantis que serão apresentados por escritores convidados. Abrindo a programação, haverá leituras da poesia de Bandeira. Na Flipinha, a escritora Ruth Rocha comemorará 40 anos de literatura. Seu livro Marcelo, Marmelo, Martelo, que já vendeu 1 milhão de exemplares, foi adaptado e será encenado durante a festa.
Os adolescentes terão, pela primeira vez, um espaço exclusivo na festa literária. A FlipZona vai oferecer ciclos de debate sobre novas mídias e tecnologia. “A criança já lê o mundo ao redor, mas o nosso objetivo é transformar Paraty em uma cidade de pessoas com o gosto e o hábito da leitura. E é uma satisfação enorme ver que, com poucos recursos, é possível transformar a realidade de uma cidade”, comemora Cristina.
Com convicção, a coordenadora da Flipinha resume com uma frase o impacto da literatura sobre as crianças: “O universo literário vai transformá-las em cidadãos críticos”.