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Brasil

Fiscal suspeito de ‘fura-fila’ do ICMS descarta volta dos EUA

Em janeiro, a Justiça de São Paulo mandou incluir na Difusão Vermelha da Interpol o nome de Murakami

Redação Jornal de Brasília

07/04/2026 21h22

Foto: Reprodução/redes sociais

São Paulo, 7 – O auditor fiscal aposentado da Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Alberto Toshio Murakami, procurado pela Interpol como um dos principais operadores do esquema de fraudes no ressarcimento de créditos de ICMS que arrecadou pelo menos R$ 1 bilhão em propinas de gigantes do varejo, alegou à Justiça que, antes de se tornar alvo de mandado de prisão preventiva na Operação Ícaro, já tinha um projeto de vida no exterior e sua mulher é CEO de uma empresa americana de importação de mármore. Procurada pelo Estadão, a defesa do fiscal não se manifestou.

No pedido de revogação da prisão à Justiça, que foi negado liminarmente pela desembargadora Carla Rahal, da 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, a defesa de Murakami apontou que o fiscal tem 63 anos, “é réu primário, portador de bons antecedentes, com residência fixa – tanto no Brasil quanto nos EUA – e família constituída com duas filhas, netas e esposa”. “Não se pode obrigar o paciente (Murakami), que atualmente possui família estabelecida no estrangeiro, a se mudar de volta para o Brasil, sob o pretexto de estar respondendo a um processo penal”, argumenta a defesa, conduzida pelo advogado Marcos de Oliveira Montemor.

Em janeiro, a Justiça de São Paulo mandou incluir na Difusão Vermelha da Interpol o nome de Murakami, atendendo a pedido de promotores do Gedec, unidade do Ministério Público contra delitos de ordem econômica. A defesa de Murakami, chamado de “Americano” dentro do esquema, argumenta que “a decisão de residir fora do País foi tomada e concretizada de forma natural, como projeto de vida pós-aposentadoria”.

Os promotores do Gedec suspeitam que Murakami esteja morando em sua mansão de 1.000 m² avaliada em US$ 1,3 milhão no Tennessee. Denunciado pelo MP, ele trabalhava na Delegacia Regional Tributária III (Butantã), posto fiscal em que a Ultrafarma – uma das varejistas citadas no esquema – pedia o ressarcimento de ICMS-ST. Ele analisava os pleitos da empresa e emitia pareceres pelo seu deferimento.

Estadão Conteúdo

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