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Febre depois da AstraZeneca é normal; veja efeitos comuns

Febre, calafrios e dores pelo corpo estão entre os principais sintomas relatados por pessoas de diferentes idades que receberam a vacina

Everton Lopes Batista
São Paulo-SP

Com a vacina da AstraZeneca sendo aplicada em maior quantidade, diante também da falta de Coronavac, mais utilizada no início da campanha, um número crescente de pessoas pode sentir os efeitos colaterais esperados e estranhá-los.

Febre, calafrios e dores pelo corpo estão entre os principais sintomas relatados por pessoas de diferentes idades que receberam a vacina contra a Covid-19 desenvolvida por uma parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

Os efeitos colaterais, geralmente muito leves e de curta duração, devem aparecer para boa parte dos imunizados com o fármaco e não representam perigo, dizem especialistas. Eles podem durar algumas horas ou até dois dias.

Alvaro Jesus da Paixão, 57, agente predial, recebeu a primeira dose da vacina no sábado (8) no Rio. Na madrugada, calafrios e febre chegaram. “No posto fui avisado de que poderia ter algum sintoma e orientado a tomar antitérmico e analgésico caso acontecesse”, diz ele, que conta ter usado remédio só na madrugada e na manhã de domingo.

Em um estudo com o imunizante feito no ano passado, cerca de 80% dos 552 participantes analisados tiveram reações locais (como dor ou inchaço onde a vacina foi aplicada). Um número próximo de 80% dos voluntários também relatou reações sistêmicas, como dor de cabeça e febre.

Os dados, publicados em novembro de 2020 na revista científica The Lancet, mostram ainda que as reações foram um pouco mais frequentes nas pessoas mais jovens, com menos de 56 anos de idade.

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A fisioterapeuta Priscila Santana, 35, recebeu a vacina em março em Londrina (PR). Na madrugada seguinte, apareceram os sintomas: “Tive calafrios, febre, dor no corpo, muita dor de cabeça e fraqueza por cerca de dois dias”.
Algo semelhante aconteceu com Nathalia Barros, 31, auxiliar administrativa em uma empresa de serviços de saúde que foi vacinada no dia 6 de maio em Sorocaba (SP). “Tomar a vacina não doeu, mas depois comecei a ter calafrios, mesmo com uma temperatura de 28 graus na cidade”, diz Barros. À noite, teve febre de 38 graus, mas no dia seguinte já estava tudo bem,só restando a dor no braço.

A médica infectologista Audrey Quezada, que já recebeu as duas doses da AstraZeneca e teve apenas manifestações leves, conta que diversos pacientes a procuram com dúvidas e medos relacionados a vacinas contra a Covid-19.

“Digo que devemos ter medo das doenças, e não das vacinas, pois são amplamente testadas antes de serem utilizadas. Além disso, se adoecermos não temos como saber se teremos uma forma leve ou grave da doença. As doenças são sempre imprevisíveis”

A vacina de Oxford é processada e distribuída no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) por meio de um acordo bancado pelo governo federal. O imunizante representa cerca de 40% (30 milhões) das vacinas disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) até o momento. Mais de 200 milhões de doses devem ser usadas na campanha, segundo planejamento da Fiocruz.

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Como o imunizante é aplicado em duas doses, aproximadamente 100 milhões de brasileiros podem vir a recebê-lo.
A vacina da AstraZeneca é uma das principais apostas para a imunização das populações da União Europeia e do Reino Unido. Um número muito pequeno de coágulos associados ao imunizante foi registrado na Europa, mas as autoridades de saúde do continente recomendaram seu uso, afirmando que os benefícios que ela traz são muito superiores aos riscos.

Outra vacina usada no Brasil, a Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan (ligado ao governo de São Paulo) apresentou menos efeitos adversos no estudo da instituição com mais de 9.000 participantes.

Cerca de 40% dos participantes relataram dor no local da injeção –inchaço foi registrado em menos de 5%.
Aproximadamente 25% deles disseram ter tido dor de cabeça, mas um número semelhante de voluntários do grupo que recebeu o placebo (substância sem efeito) disse ter experimentado o mesmo sintoma, o que não deixa claro se essa reação foi à vacina.

Efeitos adversos semelhantes teve a vacina criada pela farmacêutica americana Pfizer e pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech, o terceiro a chegar ao Brasil.

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Segundo um relatório entregue pela Pfizer à agência regulatória dos Estados Unidos (FDA), 66% dos participantes de seu estudo tiveram dor no local da injeção após a segunda dose. Foram registradas também reações como fadiga (59% dos voluntários), dor de cabeça (52%) e febre (16%). A vacina foi testada em mais de 40 mil pessoas.

Esses estudos não podem ser comparados, porque usaram metodologias e populações diferentes, mas os resultados de todos eles confirmam a segurança dos imunizantes, dizem especialistas.

As informações são da Folhapress

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