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Brasil

FAO debaterá em Brasília redução de pobreza rural na América Latina

Arquivo Geral

08/04/2008 0h00

A 30ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) debaterá como conciliar o crescimento econômico com a inclusão social da população rural na região.

A afirmação foi feita hoje em Santiago pelo diretor regional da entidade, salve o brasileiro José Graziano da Silva, order que acrescentou que este é um desafio ainda não resolvido na maioria dos países latino-americanos.

A América Latina possui dois paradoxos que ilustram profundos contrastes e desigualdades, ressaltou nesta terça-feira o diretor regional da FAO, que realizará a reunião em Brasília de 14 a 18 de abril.

Esses paradoxos, afirmou Graziano da Silva, são a persistência da fome, apesar de serem produzidos alimentos suficientes, e da pobreza rural, mesmo com o dinâmico crescimento da economia regional e da agricultura, em particular.

Neste contexto, ele ressaltou que entre 2002 e 2006 as exportações de alimentos cresceram 12% ao ano, enquanto a contribuição do setor agrícola ao Produto Interno Bruto (PIB) regional variou entre 27% e 34%.

“No entanto, a pobreza rural persiste e afeta mais de 54% do setor”, afirmou.

O brasileiro acrescentou que os 33 países que assistirão à Conferência de Brasília debaterão como tema principal a erradicação da pobreza rural.

“Os Governos quase nunca chegam aos pobres e os pobres estão quase sempre onde não há Governo”, destacou.

Além disso, durante a Conferência serão debatidas as atividades da FAO na região, na perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Segundo documento apresentado hoje, a FAO considera que a ação conjunta entre os setores público e privado é imprescindível para potenciar o desenvolvimento rural, com o objetivo de reduzir a pobreza e a fome, contribuir ao crescimento econômico e melhorar a competitividade agrícola.

Além disso, o relatório considera que houve um enfraquecimento do aparelho do Estado no campo.

“Na maioria dos países da região, o setor público foi perdendo muitas de suas capacidades de intervenção e regulação a partir dos ajustes estruturais dos anos 90”, afirma o texto.

No âmbito privado, o documento destaca os avanços na organização dos pequenos produtores em associações e cooperativas e a criação de agremiações e movimentos sociais, assim como o peso econômico e a influência política cada vez maiores de atores empresariais privados.

A Conferência abordará como a ação público-privada pode contribuir para alcançar um desenvolvimento rural inclusivo e sustentável, já que o principal desafio que a região enfrenta é superar sua enorme desigualdade na distribuição de renda.

Nesse sentido, espera-se que a Conferência “recomende políticas que busquem inserir a agricultura familiar nos mercados e enfrentar a precariedade que existe na regulação do trabalho temporário”, concluiu Graziano da Silva.




 

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