São Paulo, 04 – Rodrigo Augusto Lucena Barros, de 46 anos, o técnico que morreu atropelado quando trabalhava na manutenção da pista do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), era fã de forró e futebol.
Ele morava em Diadema, na Grande São Paulo, e prestava serviços para uma empresa de manutenção de asfalto. Torcedor do São Paulo Futebol Clube, Barros era muito requisitado para esse tipo de trabalho.
O acidente aconteceu na madrugada desta quarta-feira, 2, e trouxe impacto para a operação do aeroporto, com cancelamentos e atrasos de voos. Conforme o registro da ocorrência, Barros trabalhava na pista quando foi atingido por uma picape Ford Courier, de outra empresa terceirizada. O trabalhador chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar). O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que vai apurar as condições em que aconteceu o acidente. O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Campinas já fez perícia no local do acidente e abriu investigação.
A família de Barros é de Araçoiaba da Serra, na região de Sorocaba, mas ele havia se mudado há mais de dez anos para a Grande São Paulo. Em Diadema, formou um grupo de amigos que o acompanhava em rodas de samba e forró.
“Era tricolor desde pequeno, acompanhava os jogos do São Paulo pela TV, mas também ia ao estádio. Fui ao Morumbi algumas vezes com ele. Depois que se mudou, a gente se via com menos frequência”, diz o servidor público José Monteiro, morador de Araçoiaba da Serra, amigo de infância de Rodrigo.
Ele conta que o amigo costumava ir a Araçoiaba da Serra quando sua mãe, Lourdes, ainda era viva – ela morreu em 2024. Ele ainda tem parentes morando na cidade.
Um dos irmãos mora em Sorocaba e outro se mudou para o Sul do País. Sua morte foi lamentada em redes sociais pelos parentes e conhecidos. “Que tristeza, um menino muito gente boa”, postou Fabíola Marcondes, amiga da família.
“Digão”, como era conhecido, estava em um novo relacionamento em Diadema, havia quatro anos.
Barros se especializou com técnico em pavimentos rígidos e flexíveis. Ele atuava como prestador de serviços para o grupo Potiron, com sede em Santo André. A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não obteve resposta.
O corpo foi sepultado nesta quinta-feira, 3, no Cemitério Municipal de Araçoiaba da Serra.
A concessionária Aeroporto Brasil Viracopos informou que colabora com as investigações do MPT e tem realizado reuniões com o ministério para que mais empresas que atuam no terminal sigam todas as normas de segurança do trabalho, conforme a lei.
“A concessionária do aeroporto realiza constantes campanhas internas de conscientização para reforçar a cultura da segurança do trabalho por parte destas empresas. Ao todo, são 400 empresas instaladas dentro de Viracopos e cerca de 10 mil pessoas trabalham no complexo aeroportuário, número maior que o de habitantes de muitas cidades”, diz a nota.
Estadão Conteúdo