Menu
Brasil

Expedição brasileira na Antártica monitora microplásticos e impactos climáticos

Equipe do CDTN conclui estudo na Estação Comandante Ferraz sobre alterações no regime hidrológico e contaminantes na água.

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 18h02

Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

A equipe do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), concluiu a segunda expedição de campo na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha do Rei George. O objetivo principal foi investigar como as mudanças climáticas alteram o regime hidrológico do continente, analisando as relações entre água de degelo, lagos, rios, atmosfera, solo e oceano.

Os cientistas brasileiros também rastrearam a origem e o destino de poluentes transportados nesses processos para avaliar impactos globais. Uma novidade no projeto foi o monitoramento de microplásticos e substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS). Esses contaminantes, transportados por circulações oceânicas e atmosféricas, indicam uma contaminação que afeta o clima planetário.

A região antártica é estratégica para esses estudos, atuando como indicador antecipado de transformações ambientais. Seu isolamento geográfico, distante das fontes de poluição, reforça o alerta: se até ali há contaminação, o restante do planeta enfrenta situações ainda mais graves.

Microplásticos são partículas de polímeros sintéticos menores que 5 milímetros, originadas de produtos como esfoliantes ou degradação de plásticos maiores. Eles poluem ecossistemas, são ingeridos por animais e entram na cadeia alimentar, podendo chegar aos humanos via alimentos, água e ar, com riscos à saúde ao se acumularem no organismo.

As substâncias PFAS, químicas sintéticas persistentes, são usadas em itens antiaderentes, embalagens, cosméticos, roupas impermeáveis e espumas contra incêndio. Elas contaminam água, solo e alimentos, associando-se a riscos como câncer, problemas reprodutivos e disfunções hormonais.

Esses poluentes ganham destaque na ciência e no debate ambiental por sua relação com as mudanças climáticas. Presentes no oceano, solo e atmosfera, influenciam processos climáticos fundamentais. Microplásticos, em particular, refletem ações humanas de produção, consumo e descarte, contribuindo para a poluição e alterações climáticas.

A expedição ocorreu de novembro de 2025 a janeiro de 2026, com participação do pesquisador Ricardo Passos, do Serviço de Análise e Meio Ambiente, e da geóloga Ana Clara Ferreira, discente do Programa de Pós-Graduação do CDTN/CNEN.

O trabalho integra o projeto Interfaces: Transporte e Processos Biogeoquímicos de Substâncias Naturais e Antropogênicas na Interface Terra-Mar Antártica em um Contexto de Mudanças Climáticas. Além do CDTN, participam o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto Oceanográfico da USP, sob liderança da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nesta segunda viagem, foram ajustados métodos e estratégias em relação à expedição anterior, devido às condições climáticas extremas. Mudanças incluíram o monitoramento de radônio e a frequência de amostragem. Os pesquisadores incorporam dados prévios para aprofundar os estudos.

“A expectativa é expandir as amostragens e testar melhorias metodológicas que nos permitam compreender com maior clareza os processos ambientais que estamos investigando — especialmente transporte de partículas e contaminantes, interação atmosfera, solo e água e os mecanismos que influenciam a dinâmica de contaminantes no contexto das mudanças climáticas”, afirma Ricardo Passos.

Com informações do Governo Federal

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado