Fenômeno comum no futebol, o êxodo de atletas brasileiros para o exterior também se repete no vôlei. Quem quiser ver os astros brasileiros do esporte, terá que bancar uma passagem para a Europa ou se conformar com a TV. Basta olhar a convocação para o último Mundial da modalidade, quando a seleção masculina levou o bicampeonato e as mulheres ficaram com a medalha de prata. Do time comandado por Bernardinho, apenas o novato Samuel Fuchs ainda atua por aqui, defendendo as cores do Telemig Celular/Minas. Na Superliga feminina, a situação é um pouco melhor: das 12 jogadoras, sete ainda defendem clubes nacionais. Só não se sabe até quando.
“Nós já pensamos para o próximo ano contratar uma equipe inchada para poder se dar ao luxo de perder um ou dois. É inevitável, você não consegue segurar os jogadores”, admite Renan Dal Zotto, técnico da Cimed/Florianópolis, atual campeão da Superliga masculina. Do time da temporada 2005/2006, ele não conseguiu manter alguns de seus principais nomes no país, como Bruno Zanuto, Bob e Sidão. E, da mesma forma que nos gramados, a saída de jogadores de vôlei do país não acontece apenas entre os chamados “top”.
De acordo com dados da própria Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), nada menos que 399 atletas nacionais (242 homens e 157 mulheres) estão espalhados pelas quadras de 28 nações. É possível encontrar brasileiros jogando em ligas de países com praticamente nenhuma tradição no esporte, caso de Chipre (um), Dinamarca (dois), Kuwait (um), Romênia (um) e Catar (13). Isso sem contar os técnicos: neste momento José Roberto Guimarães (Scavolini Pesaro – Itália), Paulo Coco (Grupo 2002 Murcia – Espanha), Radamés Lattari (Trentino – Itália) e Marco Aurélio Motta (Eczacibaci Istambul – Turquia), todos com passagens pelas seleções brasileiras, trabalham no exterior.
O fenômeno chama a atenção porque arregimenta atletas cada vez mais jovens, ainda em fase de formação. Não faz muito tempo que os atletas que iam jogar fora do país eram apenas aqueles já consagrados, caso de Nalbert, Maurício, Giba, etc. “Um jogador que ainda está em uma faixa intermediária, iniciando em seleções brasileiras já tem mercado lá fora. Atletas ainda medianos estão sendo absorvidos pelas equipes européias. A Superliga é um grande showroom”, constata José Montanaro Júnior, ex-jogador e agora gerente de vôlei do Banespa/São Bernardo, uma das equipes mais tradicionais do Brasil, com grande histórico de revelação de atletas.