Os médicos reumatologistas devem prescrever detalhadamente exercícios físicos para seus pacientes, assim como receitam remédios, defenderam ontem especialistas durante o 28.° Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Porto Alegre.
Segundo os profissionais, a onda de medicamentos biológicos contra os reumatismos – drogas obtidas a partir de fluidos ou tecidos de origem animal, entre outros – relegaram indevidamente os exercícios a um segundo plano. Isso apesar de revisões sistemáticas de literatura científica comprovarem que eles melhoram a saúde de pacientes com artrites, lúpus, fibromialgia, dores lombares, entre outras, aumentando a capacidade cardiorrespiratória, a força muscular e a mobilidade, além do potencial anti-inflamatório e de redução das doses dos medicamentos.
Outro ponto positivo é que os exercícios ajudam a combater efeitos adversos de algumas drogas, como problemas cardiovasculares. “Receituário não é só para remédio”, afirmou Jaime Natour, professor de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Nessa onda de biológicos, as abordagens não medicamentosas têm sido deixadas de lado, principalmente porque não há uma indústria por trás”, disse Fábio Jennings, reumatologista do setor de reabilitação da disciplina.
Não prescrever e deixar que o paciente procure sozinho um programa em academias de ginástica não é o ideal, diz Natour, uma vez que os educadores físicos muitas vezes não conhecem bem as doenças reumáticas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
AE