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Brasil

Ex-policial é condenado a 32 anos por assassinato de bicheiro no Rio

O júri reconheceu qualificadoras como motivo torpe, meio cruel e emboscada no crime contra Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020

Redação Jornal de Brasília

11/04/2026 11h57

fernando iggnacio

Foto: Reprodução

O 1º Tribunal do Júri do Rio condenou o ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves a 32 anos, nove meses e 18 dias de reclusão pelo homicídio triplamente qualificado do bicheiro Fernando Iggnácio. A pena será cumprida em regime fechado.

O crime ocorreu em 2020, no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro, após a vítima retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. O júri considerou o homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, caracterizando emboscada.

O presidente do júri, juiz Thiago Portes Vieira de Souza, destacou o papel central de Rodrigo na execução e o arsenal apreendido em seu apartamento, que incluía quatro fuzis, carregadores e vasta quantidade de munições. O magistrado enfatizou que o réu, que era policial militar da ativa na época, utilizou conhecimentos adquiridos na função para cometer o crime, agindo contra o Estado.

Outros dois acusados de participação no crime, os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, foram inicialmente agendados para julgamento junto com Rodrigo, mas dispensaram seus advogados no início da sessão. Eles deverão constituir nova defesa, e uma nova data será designada para o julgamento.

Ygor Rodrigues Santos da Cruz, outro suspeito de envolvimento na execução, foi encontrado morto em 2022. Denunciado como mandante, o contraventor Rogério de Andrade responde em outro processo, ao lado de Gilmar Eneas Lisboa.

Fernando Iggnácio era genro do contraventor Castor de Andrade, casado com sua filha Carmen Lúcia de Andrade. O assassinato está ligado a uma disputa pelo espólio de Castor, que resultou em mais de 50 mortes em quase 30 anos de conflito entre as facções. Iggnácio teria sido morto a mando de Rogério de Andrade, sobrinho de Castor.

Em outubro de 2020, o filho de Castor, o engenheiro Paulinho de Andrade, foi morto junto com seu segurança na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, em crime atribuído a Rogério, seu primo em primeiro grau. Paulinho, que não se envolvia diretamente com o jogo do bicho, reclamava da divisão da herança dos pontos deixados pelo pai, controlados por Rogério. Após a morte do irmão, Carmen Lúcia temeu ser a próxima vítima, iniciando a guerra entre Iggnácio e Rogério pelo legado familiar.

Com informações da Agência Brasil

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