Ao som de Elis Regina, a 34ª Caravana da Anistia, do Ministério da Justiça, abriu a sessão de apreciação dos requerimentos de Anistia Política, na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Foram julgados pedidos de anistia de militantes da Guerrilha do Araguaia, vítimas da Chacina da Lapa e integrantes do Partido Comunista.
Na sessão foram anistiados: Dinaelza Santana Coqueiro, Vanderley Caixe, Maurício Grabois, Camila Arroyo, Dolores Cardona Arroyo e Lenine Arroyo. Já Victoria Grabois e Ângelo Arroyo receberam as respectivas portarias de anistiados políticos.
Na cerimônia, familiares dos ex-perseguidos políticos pediram a abertura completa dos arquivos da ditadura. Emocionada, a filha de Maurício Grabois, Victoria Grabois, integrante do Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, relembrou o sofrimento da família e as conseqüências devastadoras dos anos de chumbo no Brasil. “Os melhores filhos deste país morreram pela consolidação da democracia. Eu perdi meu pai, meu irmão e meu primeiro companheiro. Por isso, o governo precisa abrir os arquivos da Ditadura, desta barbárie que atingiu a nossa sociedade. Queremos enterrar nossos mortos”, destacou. Victoria recebeu a portaria de anistiada política após 16 anos de espera.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, participou da cerimônia que fez menção à fundação dos 88 anos do Partido Comunista – organização política mais antiga em atividade no País. “Se hoje somos uma nação respeitada internacionalmente, os alicerces se devem aos combatentes desta luta democrática. Aqui fizemos o resgate de uma dívida em prol da cidadania, de uma história que deixou marcas e que não devem ser apagadas e sim guardadas na memória”, afirmou.
Resgate da história
A Comissão de Anistia faz um resgate e uma reflexão da história no país, valoriza o papel da anistia política e a história de luta dos diferentes atores sociais perseguidos durante a Ditadura. Dos 66 mil processos protocolados na Comissão desde 2001, cerca de 54 mil já foram apreciados.
Nas Caravanas da Anistia, o Estado brasileiro pede desculpas oficiais a cidadãos e suas famílias, como o ex-presidente João Goulart, o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, o ambientalista Chico Mendes e o educador Paulo Freire, entre tantos outros opositores ao regime de exceção.
Desde abril de 2008, as Caravanas já passaram por 17 estados, julgando mais de 800 pedidos de anistia nos locais onde ocorreram as perseguições. Todas as regiões do país já foram visitadas pelo projeto.