Campeão com os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos do México-68, Spencer Haywood é um dos membros do verdadeiro esquadrão de apoio que acompanha a seleção norte-americana em sua preparação para o Torneio Pré-olímpico
Engasgados com a derrota sofrida em casa na edição de 2002 da competição, em Indianápolis, quando terminaram apenas na sexta posição, o pódio não foi o suficiente para tirar o sabor amargo da boca dos norte-americanos, mas para Haywood acabou sendo algo positivo para esta temporada.
O título no ano passado assegurou à Espanha presença nos Jogos de Pequim-2008. Os Estados Unidos seguem na fila em busca de uma das duas vagas asseguradas aos finalistas do Pré-olímpico das Américas, que começa nesta quarta-feira. A estréia norte-americana será à meia-noite, enfrentando a Venezuela.
Chamado pela USA Basketball, entidade responsável pelas seleções norte-americanas, para dar palestra aos convocados de 2006, Haywood falou para uma platéia de talentos ainda em formação capitaneada por LeBron James. “Eu queria que eles não precisassem voltar agora para competir, mas o que nós pensamos ser uma coisa negativa acabou por se tornar positiva”, avalia Haywood. “Agora nós temos Jason Kidd, Chauncey Billups, Kobe Bryant, caras que podem assumir a responsabilidade, jogadores que realmente podem fazer acontecer”.
Os Estados Unidos contarão com Carmelo Anthony (Denver Nuggets), Chauncey Billups (Detroit Pistons), Kobe Bryant (Los Angeles Lakers), Tyson Chandler (New Orleans Hornets), Dwight Howard (Orlando Magic), LeBron James (Cleveland Cavaliers), Jason Kidd (New Jersey Nets), Mike Miller (Memphis Grizzlies), Tayshaun Prince (Detroit Pistons), Michael Redd (Milwaukee Bucks), Amare Stoudemire (Phoenix Suns) e Deron Williams (Utah Jazz) sob o comando do técnico Mike Kryzewski.
Para o veterano jogador, a equipe de Las Vegas pode até mesmo superar os feitos obtidos pelo Dream Team original dos Estados Unidos. “Cada equipe tem sua complexidade individual. Há um ambiente, uma confiança e um orgulho que você precisa ter. Vejo tudo isso nesta seleção e isto é especial. Acho que eles podem quebrar os recordes do Dream Team original e, logicamente fazendo isso, quebrarão os meus também. Sei que estes caras podem bater qualquer um por 25 pontos ou mais”.
Astro na seleção e no basquete profissional, Haywood lembra que vestir a camisa do país tem um sabor especial. “Vivendo na América, a coisa mais importante que você pode fazer sendo um jogador de basquete é enfrentar os outros países, seja em Olimpíadas ou no Mundial. Esta é sua primeira prioridade porque é seu país e você deve lutar contra todo mundo que queira superar a América”.
Por razões como estas, o ex-jogador não tem dúvidas que os Estados Unidos podem voltar ao topo nas competições internacionais (o último título dos norte-americanos foi conquistado nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000, depois disso foram bronze em Atenas-2004 e no Mundial do Japão). “Não tínhamos entendido a importância de enviar nosso melhor e nossos melhores (jogadores) não haviam compreendido a importância de jogar”, explica Haywood, sem esconder seu descontentamento com quem diz não à seleção.
“Ouvi rapazes dizendo que não queriam se comprometer por três anos ou que não queriam comprometer seu verão. De alguém que tornou possível que eles ganhassem milhões digo que sinto vergonha. Vergonha que não queiram representar seu país. Se não fosse assim, eles poderiam estar colhendo algodão como eu estava”, completou, lembrando seus anos de trabalhador agrícola.