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Brasil

EUA devolvem ao Brasil 2 obras de arte adquiridas ilegamente por banqueiro

Arquivo Geral

21/09/2010 18h11

Os Estados Unidos devolveram às autoridades brasileiras, nesta terça-feira, em Nova York, um quadro de Roy Lichtenstein e outro de Joaquín Torres-García que foram adquiridos pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira de maneira ilegal.

Durante uma cerimônia organizada nos escritórios da Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York, foi oficializada a entrega das obras de arte – que chegaram de forma irregular aos EUA em 2006 – para seu envio ao Brasil.

As duas pinturas entraram no país com títulos falsos e com documentação que atestava valores muito inferiores a seus preços reais, segundo detalhou a Procuradoria em comunicado.

“Durante anos, as obras dos artistas contemporâneos Torres-Gracía e Lichtenstein foram reféns da fraude de Edemar Cid Ferreira. Hoje devolvemos essas valiosas pinturas a seu legítimo lugar no Brasil”, assinalou o fiscal do Distrito Sul de Nova York, Preet Bharara.

Além disso, o subdiretor do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), Alonzo Peña, afirmou sentir-se “honrado” de poder devolver os quadros ao Brasil e assegurou que sua agência seguirá “perseguindo aqueles que pretendem roubar a nação para obter lucros pessoais”.

Edemar Cid Ferreira, fundador do Banco Santos e processado no Brasil por delitos contra o sistema financeiro, adquiriu as obras de forma ilegal para lavar dinheiro.

O quadro do americano Roy Lichtenstein está avaliado em US$ 1,5 milhão, enquanto a obra de Joaquín Torres-García foi comprada em 2004 por US$ 230 mil, segundo detalhou a Procuradoria nova-iorquina.

O ex-banqueiro foi condenado, em dezembro de 2006, a 21 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou que todos os bens obtidos de maneira ilegal fossem confiscados.

Durante o processo de apreensão de seus bens, as autoridades brasileiras descobriram que um grande número de valiosas obras de arte, avaliadas entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões, entre as quais estavam os quadros de Liechtenstein e Torres-García, tinham desaparecido.

A Procuradoria informou que as duas obras foram encontradas em 2007 em um armazém de Nova York e posteriormente apreendidas pelo ICE depois que um tribunal de São Paulo apresentou um pedido de ajuda à Interpol.

Além das duas obras, as autoridades nova-iorquinas confiscaram, em 2008, o quadro “Hannibal”, de Jean-Michel Basquiat, avaliado em US$ 8 milhões e que também pertencia à coleção de Ferreira.

Tanto esta última obra como uma escultura chamada “Roman Togatus”, também da coleção de Ferreira, estão à espera da decisão judicial que permita devolvê-las ao Brasil, segundo confirmou a Procuradoria nova-iorquina.

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