Um estudo realizado pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) mostra que o investimento social privado tem crescido no Brasil, mas ainda há desafios a serem vencidos. O Gife é a primeira associação da América do Sul que reúne entidades e empresas que praticam o investimento social privado, como é chamado o repasse de recursos privados para fins públicos no país, traduzido em ações sociais, culturais e ambientais.
O secretário-geral do Gife, Fernando Rossetti, disse nesta quarta-feira (7), durante o 6º Congresso Gife sobre investimento social privado, no Rio de Janeiro, que o número de entidades brasileiras que fazem esse tipo de investimento triplicou entre 1996 e 2005, passando de 107,3 mil para 338,1 mil, um crescimento de 215%. “Há um fortalecimento muito grande, mas o Brasil tem muitos desafios ainda para se qualificar mais”, disse Rossetti.
O congresso Gife discute um cenário de investimento social privado no Brasil para os próximos dez anos. Ele se baseia em três eixos: necessidade de relevância e legitimidade, abrangências das ações e a diversidade dos investidores.
“Você tem uma certa concentração em áreas temáticas e territoriais no Brasil do investimento social”. As áreas predominantes são a educação, juventude e cultura. Para Rossetti, existem outros temas importantes que podem receber investimento social, entre os quais a proteção à Amazônia e o sistema carcerário.
Ele também revelou que o investimento social está muito concentrado nas regiões Sudeste e Sul, “onde se gera a riqueza e não para onde precisa ir a riqueza”, caso das regiões Norte e Nordeste. Na avaliação do secretário-geral do Gife o eixo dos investimentos poderia ser mudado por meio de incentivo fiscais que favorecessem as regiões mais necessitadas.
O estudo do Gife também revela que o bom momento econômico do país fez com que o Brasil perdesse recursos da cooperação e da filantropia internacionais, que foram importantes nas últimas décadas para questões como democratização, direitos humanos, reforma agrária. A sugestão é resgatar esses recursos internacionais, buscando aplicar o investimento social em temas que sejam de consenso na sociedade.