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Brasil

Estudo da UFMG revela 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil

O número aumentou para 365.822 no final de 2023, impulsionado pela precarização pós-pandemia e falta de políticas públicas.

Redação Jornal de Brasília

14/01/2026 16h14

situação de rua

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (13), aponta que o Brasil contava com 365.822 pessoas em situação de rua no final de 2023. Os dados foram extraídos do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que monitora beneficiários de políticas sociais como o Bolsa Família.

Durante a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, o número havia diminuído de 194.824 para 158.191. No entanto, a partir de 2022, houve um crescimento contínuo, atingindo 327.925 em dezembro de 2023, conforme dados preliminares, e elevando-se para o total atual.

A Região Sudeste concentra a maior parte dessa população, com 222.311 pessoas, equivalente a 61% do total nacional. O estado de São Paulo lidera com 150.958 casos, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá registra o menor número, com 292 pessoas nessa condição. A Região Nordeste vem em segundo lugar, com 54.801 indivíduos.

Pesquisadores atribuem o aumento a fatores como o aprimoramento do CadÚnico para registrar essa população, a ausência de políticas estruturantes em áreas como moradia, trabalho e educação, a precarização das condições de vida após a pandemia e emergências climáticas que provocam deslocamentos na América Latina.

Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, destacou a persistência da fome no país, apesar de avanços no combate à insegurança alimentar. Ele mencionou dificuldades para arcar com despesas básicas como aluguel, medicamentos e alimentação, especialmente para quem recebe um ou dois salários mínimos. Mendonça também apontou o avanço tecnológico como barreira para o emprego, defendendo capacitação profissional, combate ao preconceito e políticas de moradia e geração de vagas.

“O problema não está na população de rua, mas no governo que não encara a temática com seriedade, dignidade e respeito”, afirmou. Ele enfatizou a necessidade de tratar essas pessoas como cidadãos desempregados que merecem oportunidades no mercado de trabalho.

A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informou que repassou R$ 633 milhões às prefeituras desde o início da gestão, dos quais R$ 145,6 milhões foram destinados especificamente à população em situação de rua. A pasta ampliou serviços como o programa Bom Prato, com 24 novas unidades, e o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, visando autonomia por meio de renda e moradia para indivíduos afetados pelo uso de substâncias psicoativas.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania foi procurado, mas não se manifestou até o momento. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

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