Quem olhar os últimos resultados da Superliga feminina e o atual plantel de jogadoras não vai nem precisar de muito esforço para apostar: ou Rexona/Ades ou Finasa/Osasco ficarão com o título da edição 2006/2007 na competição nacional, que começa no próximo sábado. Afinal, as duas equipes somam juntas seis jogadoras da seleção brasileira vice-campeã mundial (contra uma das seis equipes restantes) e são as atuais campeãs dos Estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Sem contar que fizeram as duas últimas finais nacionais, com uma vitória para cada lado.
Mas, um olhar um pouco mais atento repara que desta vez a hegemonia está um pouco mais fácil – ou menos difícil – de acabar. O Osasco, por exemplo, perdeu quatro dos oito jogos que fez contra o São Caetano/MonBijou nesta temporada, além de não poder mais contar com nomes como Carol Albuquerque e Mari. O Rexona, por sua vez, aposta em uma levantadora jovem, Dani Lins, para substituir Fernanda Venturini, agora aposentada. De quebra, ainda perdeu Jaqueline para o vôlei da Itália.
Enquanto isso, a Cimed/Macaé, terceira colocada na última edição da Superliga se reforçou com nomes como a própria Carol Albuquerque e a norte-americana Danielle Scott. Já o time do Grande ABC vem embalado pelo vice-campeonato paulista, mais uma vez nas mãos do experiente técnico Antônio Rizola, que comanda a seleção brasileira infanto-juvenil feminina.
A junção destes fatores faz com que a disputa prometa mais equilíbrio agora. “Eu ainda não acredito que a hegemonia vai acabar, mas a distância entre Osasco e Rexona para as outras equipes diminuiu. Se antes era de dez para cinco, hoje é de nove para sete”, avalia o técnico Sérgio Negrão, do Macaé. “É importante nós lutarmos em uma competição em que não sabemos quem serão os finalistas de cara”, complementa.
Carol Albuquerque concorda. “Essa Superliga eu acho que vai ser um das mais equilibradas dos últimos anos. Não vai ter jogo fácil”, avalia a levantadora, que logo, entretanto, volta à realidade. “A gente espera chegar à final, mas primeiro temos que trabalhar para estarmos entre os três primeiros”, afirma.
Principal concorrente de Macaé ao posto de terceira força, o São Caetano aposta em uma disputa bem mais complicada que no ano passado. “No ano passado, a gente foi a surpresa, corríamos por fora. Este ano está todo mundo prevenido contra nós”, justifica Rizola, que, mesmo com um grupo jovem, não perde o otimismo. “Nossa pretensão é estragar a festa de todo mundo”, brinca.
Último campeão da Superliga sem ser Osasco e Rexona, o Fiat/Minas, que levantou a taça na temporada 2001/2002, espera recuperar sua grandeza, após não chegar sequer às semis do último Nacional. “A expectativa é estar entre os quatro e poder comprovar nosso trabalho”, comenta a atacante Joycinha, que chegou a treinar com a seleção feminina antes do Campeonato Mundial. “A gente precisa se acertar mais para mostrar o que sabemos. Se a gente conseguir, vamos quebrar essa hegemonia até porque os times estão muito parecidos”, promete.
Técnico do Pinheiros, outro time que busca a volta aos velhos tempos, Haiton Cabral concorda que há mais igualdade na edição 2006/2007. “O ponto de desequilíbrio era a Fernanda Venturini. Com o afastamento dela, acho que a sexta equipe vai conseguir fazer jogo muito bom com o primeiro, o segundo colocado”, opina o treinador. “Está mais aberto para as outras equipes de repente alcançarem uma surpresa e chegarem na final”, acredita.
“Alvos” do torneio, Rexona e Osasco adotam – como sempre – um discurso cauteloso antes da abertura da Superliga. “O importante é que a gente dê um passo de cada vez. O campeonato nem começou ainda. Por isso, não podemos estar pensando em fase semifinal e final para não atropelar nada”, comenta Paula Pequeno, ponteira do time paulista. Ela garante que até gosta de a hegemonia estar sendo um pouco ameaçada. “Gera um lado bom porque aumenta o nível, a nossa exigência. Essa dificuldade é o mais gostoso”, garante.
Técnico do Osasco, Luizomar Moura explica a estratégia que o time adotará para não ser surpreendido. “Nossa preocupação é crescer vencendo, principalmente depois do que sofremos no início desta temporada, como contusões e das ausências de jogadoras na seleção. Temos que entrar na competição sabendo das dificuldades que teremos em frente”, explica.
Meio-de-rede da seleção e do Rexona, Fabiana também evita prognósticos. “Estamos treinando bastante, com motivação alta e energia total para a gente começar a Superliga bem. Apesar de haver as equipes com jogadoras da seleção, os outros times também têm grupos fortes. Por isso, não sei se a final vai se repetir. Tem muita coisa a ser jogada até lá ainda”, desconversa.