Enquanto o mundo se prepara para enfrentar um período de recessão econômica, this web estudos indicam que um dos principais fatores de redução da pobreza está na igualdade salarial entre homens e mulheres. “A pobreza tende a se reduzir à medida em que as mulheres vem tendo mais acesso ao mercado de trabalho, no rx diz Tânia Fontenele, more about professora do Departamento de Psicologia Social da UnB. “Inclusive, os países em desenvolvimento que possuem menos desigualdade de gênero tendem a registrar taxas de pobreza mais baixas”, completa.
A prova disso, segundo a professora, é uma pesquisa divulgada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) este ano. O estudo mostra o grau de redução da pobreza se os rendimentos de homens e mulheres fossem equiparados. No Brasil, onde as mulheres ganham em média 34% a menos do que os homens, o número de pobres seria 20% menor com a equiparação salarial. A relação entre pobreza e desigualdade de gênero fica clara quando se sabe que, em períodos de crise econômica como o atual, as primeiras pessoas a perderem a ocupação são as mulheres dedicadas ao trabalho informal, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Tânia Fontenele pesquisa a relação entre desigualdade de gênero e pobreza e encontrou vários dados que atestam como a valorização do trabalho feminino pode influir positivamente para o desenvolvimento econômico. Hoje as mulheres chefiam quase um terço das famílias brasileiras (há 50 anos, essa proporção era de 10%). Com tanta responsabilidade, elas ainda enfrentam dificuldades adicionais, segundo a professora. “Essas mulheres ganham menos do que os homens. Além disso, nas suas famílias, sempre há um número menor de adultos, logo menos pessoas com capacidade de trabalho. Já nas famílias chefiadas por homens, geralmente a mulher também trabalha, gerando mais renda.”
EMPREENDEDORISMO – Para fugir da pobreza, a maioria das mulheres começa a trabalhar como doméstica ou fazendo trabalhos manuais, como artesanato e culinária. Segundo a professora, as ações afirmativas do governo devem contemplar principalmente esse tipo de iniciativa, estimulando o empreendedorismo. “As mulheres já quebraram as barreiras que limitavam o acesso ao mercado de trabalho, agora elas estão quebrando as barreiras que limitam a sua capacidade empreendedora”, diz Tânia. Atualmente, conforme dados coletados pela professora, 48% dos empreendedores no Brasil são mulheres.
O fenômeno é visível também em comunidades pobres, até pela falta de opções no mercado de trabalho. “Elas pegam as suas tradições culturais, influências históricas, a renda que aprenderam com a avó, daí elas chamam as amigas e fazem cooperativas”, explica Tânia. “Em alguns casos, chegam a exportar seus produtos e mudam toda a realidade da sua comunidade”, relata a professora.
Um componente que não pode faltar na busca pela igualdade de gênero, alerta a pesquisadora, é a consciência política das muheres. Ainda que muitas prefiram trocar a ascensão profissional por mais qualidade de vida, mais tempo para os filhos, mais tempo para si, elas não podem esquecer que devem lutar para marcar sua posição na sociedade. “As mulheres precisam se abrir ao questionamento, perguntarem porque ganham menos. Precisam buscar mais espaço até por uma questão política, de consciência social, de buscarem seus direitos.”