O Brasil cresceu 6% na proporção de matrículas do ensino técnico na última década, com a porcentual de alunos do ensino médio envolvidos em programas profissionalizantes aumentando de 8% em 2013 para 14% em 2023, segundo o relatório Education at a Glance, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado nesta terça-feira, 9.
Mas, essa proporção ainda é um terço da média dos países que fazem parte da OCDE e é, inclusive, inferior à de outros países latino-americanos como Chile, México e Colômbia – 33%, 35% e 28%, respectivamente, em 2023.
O Brasil também ficou com proporção menor do que a China, que tinha, em 2023, 40% dos estudantes no chamado ensino médio técnico profissionalizante – correspondente ao ensino técnico brasileiro -, mas acima de outras nações do Brics, como a África do Sul (9%) e Índia (6%).
Reformas recentes na educação básica brasileira, por meio do Novo Ensino Médio, “tornaram o ensino profissionalizante um componente opcional dos programas do ensino médio, permitindo que eles se tornassem mais flexíveis e adaptados às realidades locais”, destacou a OCDE no documento, ponderando que o progresso nessa categoria tem variado entre os Estados e municípios.
Perfil dos estudantes de ensino técnico no mundo
Globalmente, a educação profissional e técnica no ensino médio atende a uma gama diversificada de estudantes e objetivos. Em 2023, 44% dos alunos do ensino secundário superior (correspondente ao ensino médio brasileiro) nos países da OCDE estavam matriculados em programas profissionais, uma proporção que se manteve relativamente estável desde 2013.
Em outros países, diferente do Brasil, os programas de educação profissional e tecnológica (categoria em que o ensino técnico está inserido) incluem também adultos, atendendo a uma faixa etária mais ampla, com idades médias variando de 11 a 45 anos, em contraste com os programas gerais, que têm alunos mais jovens, tipicamente entre 12 e 18 anos.
A distribuição por gênero também apresenta características distintas nos programas profissionalizantes. Enquanto os programas gerais do ensino médio têm uma proporção feminina e masculina equilibrada, os alunos do sexo masculino representam uma parcela maior (55%) dos matriculados nos cursos profissionalizantes do ensino médio na média dos países da OCDE.
O Brasil, que não faz parte da OCDE, mas é considerado um país parceiro da organização, se destaca como uma exceção a essa regra, com uma proporção feminina maior (56%) no ensino técnico.
Acesso ao ensino superior
A OCDE afirma ser crucial que os programas profissionalizantes ofereçam caminhos claros para a progressão para níveis de ensino superiores, tornando o ensino técnico atrativo.
A maioria dos estudantes dessa categoria está matriculada em programas que oferecem acesso direto ao ensino superior – eram 77% dos estudantes do ensino médio profissional nos países da OCDE em 2023.
As modalidades de acesso variam: em muitos países, esses formandos são elegíveis para qualquer tipo de programa de ensino superior, como é o caso do Brasil. Em outros, o acesso pode ser restrito a cursos rápidos de formação superior, correspondentes aos tecnólogos brasileiros (graduações que têm uma duração de cerca de dois anos).
Por exemplo, na Noruega e Espanha, os estudantes formados em nível profissionalizante têm acesso direto a programas profissionais superiores, mas não a universidades.
Há também programas profissionais que não oferecem acesso direto ao ensino superior, mas ainda assim levam à conclusão do nível completo do ensino secundário superior. Essa modalidade é mais comum em países onde os programas profissionais atendem principalmente a adultos, como Irlanda e Nova Zelândia.
“Investir em ensino profissionalizante é um investimento em capital humano, que pode levar a melhores perspectivas de emprego e rendimentos mais elevados, especialmente quando os programas estão alinhados com as necessidades do mercado de trabalho”, destaca o relatório.
A OCDE também afirma que a inclusão de elementos da chamada “aprendizagem baseada no trabalho” em programas vocacionais é benéfica, já que “os locais de trabalho são ambientes poderosos para a aquisição de habilidades técnicas e interpessoais, permitindo que os alunos aprendam com colegas experientes e com equipamentos e tecnologias atualizadas”. Além disso, também ajuda a:
- reduzir os custos de formação para as escolas;
- combater a escassez de professores;
- fortalecer a ligação entre os alunos e potenciais empregadores.
A utilização dessa metodologia varia significativamente entre os países. Em lugares como Dinamarca, Hungria, Irlanda, Letônia e Suíça, 90% ou mais dos alunos estão matriculados em programas que combinam escola e estágios. Em outros países, as oportunidades de aprendizagem profissional são mais limitadas.
“Há países que não oferecem programas combinados entre escola e trabalho, enquanto em outros, essas opções coexistem com caminhos escolares, podendo levar a qualificações idênticas ou diferentes”, compara o documento.