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Brasil

Engenheiro responsabiliza equipes e pilotos por capôs voadores

Arquivo Geral

30/03/2009 0h00

O fenômeno dos capôs voadores marcou a primeira exibição oficial do novo carro da Stock Car. Seis pilotos, entre eles Ricardo Zonta, que cruzou a linha de chegada em primeiro, perderam a parte da frente do carro durante a prova. Responsável pelo desenvolvimento do modelo ao lado do italiano Nicola Scimeca, o engenheiro Gustavo Lehto responsabilizou as equipes e pilotos pelos incidentes.


“Para facilitar a remoção e colocação do capô no box, várias equipes fizeram um retrabalho nas peças, o que diminuiu a fixação do capô. A equipe AMG, por exemplo, teve o cuidado de preservar as configurações e não teve problemas”, disse o engenheiro. Ele admitiu que alguns detalhes de fabricação facilitaram o processo, “mas o principal foi o retrabalho que as equipes fizeram”.


Para Lehto, o estilo de pilotagem de alguns competidores também foi um dos motivos que provocou o fenômeno. “São carros de corrida, e não de bate-bate. O capô não voa sozinho, tem que bater nele para voar. Os próprios pilotos confessaram que os toques foram exagerados. Quem não encostou nos outros, não teve problema. A fixação do capô vai ser tratada com mais seriedade, porque pode ser decisiva para a vitória”, analisou.


Para defender seu projeto, o engenheiro chegou a fazer uma comparação com os monopostos da principal categoria do automobilismo. “Se os carros de Fórmula 1 ficarem se batendo, não chega um inteiro. Tem que tomar cuidado na disputa para não acabar com seu equipamento. O carro foi pouco tolerante e vai ser mais, mas também não vai ser indestrutível”, avisou.


Apesar de responsabilizar as equipes e pilotos pelos incidentes, Lehto trabalha para evitar que o problema se repita. A meta é instalar pinos para aumentar a fixação da peça. O expediente deve ser utilizado na próxima corrida, no dia 12 e abril, mas a eficiência dele será conhecida apenas dentro da pista de Curitiba. “Não sabemos se vai resolver ou não, pois não teremos como testar”, disse.


Outro problema apresentando pelo novo modelo é a alta temperatura dentro do cockpit. Para mudar o ruído dos carros, pedido da organização, os engenheiros fizeram o cano do escapamento passar por baixo do painel. De acordo com os pilotos da Panasonic Racing, o calor do lado de dentro chega aos 60ºC. As pedaleiras também foram afetadas, a ponto de os competidores da Medley refrescarem seus pés com água gelada após a corrida.


“Desde o começo, foi um desafio para nós resolver a questão da temperatura, e algumas equipes conseguiram”, disse Gustavo Lehto. A partir da próxima corrida do calendário, a configuração do ano passado deve ser retomada, com um cano de escapamento de cada lado do carro. “Isso deve melhorar muito essa questão da temperatura”, declarou o engenheiro.


A troca de pneus obrigatória, prevista no novo regulamento da categoria, foi adiada na véspera da corrida, porque as equipes tiveram dificuldades para encaixar a roda. “Essa configuração tem que passar por uma evolução, mas não é o fim do mundo. Em outras categorias, como a V8 australiana, teve o mesmo problema. Não duvido que a próxima etapa já tenha troca de pneus”, afirmou Lehto.


Apesar da série de problemas que marcou a estreia do novo modelo, Gustavo Lehto fez um balanço favorável. “Em geral, o carro teve um saldo positivo e os problemas que apareceram são contornáveis. Tudo que você for projetar e desenvolver, quanto mais tempo melhor. O carro da temporada passada tinha 10 anos e não estava completo. Esse carro é superior ao anterior e tem tudo para deixar a categoria ainda melhor”.

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