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Em meio a estiagem, 200 municípios gaúchos decretam situação de emergência

Na semana passada, os governos dos quatro estados debateram eventuais medidas de auxílio junto ao ministério

Por FolhaPress 12/01/2022 5h26
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O município gaúcho de Santo Ângelo, na região das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul, foi a primeira parada da ministra da agricultura, Tereza Cristina, nesta quarta-feira (12), em visita a regiões atingidas pela estiagem no país. Ela ainda deve passar pelas regiões de Chapecó (SC), Cascavel (PR) e Ponta Porã (MS) até esta quinta-feira (13), segundo a pasta.

Na semana passada, os governos dos quatro estados debateram eventuais medidas de auxílio junto ao ministério. Associada ao fenômeno La Niña, segundo especialista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a estiagem tem castigado culturas como milho, soja e pastagens.

Na visita ao Rio Grande do Sul, a ministra foi acompanhada pelo vice-governador gaúcho Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), depois que o governador Eduardo Leite (PSDB) teve teste com diagnóstico positivo para infecção pelo novo coronavírus e precisou se afastar de atividades presenciais.

Leite afirmou pelas redes sociais que encaminhou ofício para ser entregue ao governo federal com as demandas do estado diante da situação de emergência, através da ministra. No documento, o governador ressalta que a maioria dos municípios atingidos depende da produção agropecuária e que o agronegócio responde por 40% do PIB gaúcho e mais de 60% das exportações do estado.

Até esta quarta-feira, 200 municípios gaúchos decretaram situação de emergência diante da estiagem, segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual. Destes, 52 foram homologados pelo estado e 47 reconhecidos pela União. O número é equivalente a cerca de 40% dos 497 municípios gaúchos e considera o biênio 2021/2022.

Segundo o ministério, o objetivo é verificar a situação nos locais atingidos, junto a representantes de outras áreas do governo que acompanham a visita, como Ministério da Economia e do Banco Central, para definir as medidas a serem tomadas.

“Ainda não podemos dar números [dos prejuízos]. Há lavouras que se recuperam, outras não, ainda pode chover, são graus diferentes de recuperação de lavouras. Temos de acompanhar, de monitorar, e fiz questão de vir aqui para vermos o que já podemos propor para mitigar os problemas que os estados enfrentam. Não queremos que as pessoas abandonem a produção”, afirmou a ministra.

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Em Espumoso (RS), produtores rurais fizeram uma manifestação na manhã desta quarta e entregaram documentos a autoridades e agências bancárias pedindo prazos maiores para pagar dívidas, segundo a RBS TV, emissora local afiliada à Rede Globo.

Dados da Emater-RS, que presta serviços de assistência técnica e extensão rural a agricultores do estado, apontam 195 mil propriedades gaúchas atingidas com perdas referentes à seca até o dia 7 de janeiro. O maior impacto está nas lavouras de milho, com 84,7 mil produtores atingidos –na região de municípios como Soledade, Lajeado, Passo Fundo, Erechim, Santa Rosa e Frederico Westphalen, calculam-se perdas entre 45% e 65%.

Já nas lavouras de soja, a estimativa é de 72 mil produtores afetados, com perdas entre 25% e 45%, principalmente nas regiões de Soledade e Lajeado. A Emater calcula ainda 10,2 mil famílias sem acesso à água no estado e queda de 1,6 milhão de litros de leite captados ao dia, com mais de 22 mil produtores atingidos.

Na última segunda (10), a Famurs (Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul) se reuniu para discutir o enfrentamento à seca no estado, com participação da Secretaria Estadual de Agricultura e do Ministério da Agricultura, senadores, deputados e representantes de entidades do setor agropecuário.

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Presidente da federação e prefeito de São Borja, Eduardo Bonotto (PP), destacou em fala nesta quarta-feira, acompanhando a agenda da ministra, que os problemas da estiagem são cíclicos e que a tendência é de que o número de municípios em emergência aumente –São Borja já está entre os municípios com decreto.

Ele destacou a prioridade à homologação dos decretos para adoção de ações imediatas e a discussão sobre mudanças no ordenamento jurídico, como um decreto de situação de emergência agropecuária, que seja desvinculado das questões de Defesa Civil.

Segundo Rogério Affonso Rezende, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão é de que as regiões atingidas pela estiagem no Rio Grande do Sul só voltem a ter chuvas a partir do dia 18 de janeiro, na próxima semana.

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