Com autoridade de quem conquistou quatro títulos mundiais de pilotos, o francês Alain Prost advertiu a McLaren dos perigos de permitir que Lewis Hamilton e Fernando Alonso compitam em condições de igualdade dentro da equipe. Apesar da insistência de Ron Dennis, chefe de equipe do time inglês, em afirmar que sua dupla de titulares é livre para brigar por posições entre si, o Professor acredita que a definição de uma prioridade entre os dois seria mais benéfica para a McLaren.
“Acho que é um grande erro ter dois carros nas mesmas condições dentro da mesma equipe. No fim das contas, isso vai criar muitas tensões e vai trabalhar contra eles”, afirmou Prost, de 52 anos, em entrevista ao jornal espanhol El Pais. Segundo o ex-piloto de Renault, McLaren, Ferrari e Williams, Lewis fez um bom trabalho utilizando o simulador da equipe inglesa, embora isso possa não ser o suficiente para levar a decisão para seu lado.
“Hamilton utilizou o simulador muito mais do que Alonso, e dirige de maneira mais suave que o espanhol. Como resultado, acho que é mais fácil para a McLaren se adequar às características de Hamilton. Porém, isso não apaga o fato de que Alonso é um grande, grande piloto”, garantiu Prost.
No final da década de 80, o francês passou por situação muito parecida dentro da própria McLaren, na qual brigou por títulos com seu companheiro, Ayrton Senna. Os dois disputaram o campeonato entre si em 88 de maneira bastante amistosa, mas Prost acusou o brasileiro de quebrar o pacto informal existente no ano seguinte, quando Senna venceu o Grande Prêmio de San Marino.
No fim do ano, os dois chegaram ao GP do Japão novamente monopolizando a disputa para definir o campeão . Na ocasião, uma batida entre os dois logo no início da prova tirou Prost da corrida e levou Senna à vitória, antes de ser desclassificado pelos delegados da FIA. A manobra acabou dando ao francês seu terceiro título, mas não evitou que Ayrton devolvesse a batida no ano seguinte para garantir o Mundial de 90, contra o já piloto da Ferrari.