Brasil

Dia do jornalista: pesquisadores entendem que profissionais da notícia estão também na linha de frente

O jornalista profissional tem um papel formador e de conscientização da população. E, por isso, a questão da responsabilidade social parece ser algo consagrado

Foto: Joédson Alves/Efe

Geovana Oliveira / Agência UniCEUB

Os jornalistas estão na linha de frente na luta, de uma forma específica, contra o coronavírus. Essa é a opinião de pesquisadores da área de comunicação em Brasília. Em tempos de mundo hiperconectado, as informações são transmitidas em tempo real, por múltiplos canais. Por isso, pouco depois de declarar a pandemia de covid-19, a OMS (Organização Mundial de Saúde) também indicou a existência de uma infodemia.

O professor de jornalismo Sérgio Euclides Braga, pesquisador da área de ética na comunicação,  afirma que dizer que o bom jornalismo é crucial em um momento como esse é chover no molhado. “De fato, acho que, com exceção de servidores da saúde, de servidores da limpeza, de servidores da segurança pública, que estão de fato, na frente lidando, especialmente, tratando dos contaminados e dos doentes, os jornalistas também estão na linha de frente”. E que além disso, estão atuando em um ambiente muito hostil. “Especialmente o jornalismo que se realiza  principalmente através das fontes oficiais, das chamadas autoridades do poder público”. O especialista reforça que esse trabalho é crucial, principalmente, no sentido da orientação dos comportamentos da sociedade, das posturas frente à pandemia.

Ou seja, a propagação de grandes volumes de desinformação, mentiras e rumores sobre o novo vírus, que causam confusão, pânico e ansiedade. E, por isso, o trabalho do jornalista mostra-se cada vez mais necessário em tempos assim Em meio a tanta insegurança e instabilidade é fundamental fomentar a pluralidade e o debate das ideias, com informações verdadeiras e confiáveis, segundo especialistas no tema.

A professora Luciene Agnez, representante da coordenação de formação do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (Sindijor DF), defende que a informação é essencial, mas o jornalismo profissional, com credibilidade, nunca teve tanta importância. Além disso, explica que o jornalismo é imprescindível para um momento como esse. “A própria definição do jornalismo enquanto atividade essencial já deixa isso claro. Eu vejo duas linhas de importância: o jornalismo de serviço, na prestação de serviço à população nesse cenário de mudanças e indefinições, tentando traduzir a ciência, e o papel de destaque no combate à avalanche de desinformação, a chamada infodemia”. 

O professor Luiz Martins, pesquisador de comunicação social em jornalismo, avalia que durante a cobertura da pandemia do novo coronavírus os jornalistas estão “ombro a ombro” com a classe médica, com as autoridades sanitárias e mostrando o drama das vítimas do novo coronavírus. “O volume de informações foi criticado e, em dado momento, os jornalistas foram chamados injustamente de sórdidos, pois não houve sensacionalismo criminoso ou maldoso, mas, uma cobrança muito próxima das autoridades médicas e políticas, que se sentiram pressionadas e tendenciosas, querendo direcionar a cobertura, para dar mais visibilidade aos sobreviventes do que aos mortos. Porém, não concordo que a imprensa tenha sido um antro de abutres, como às vezes querem caracterizá-la. Incomodar faz parte do papel dos jornalistas”. 

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Profissional

O jornalista profissional tem um papel formador e de conscientização da população. E, por isso, a questão da responsabilidade social parece ser algo consagrado no meio jornalístico. A consagração talvez advenha do papel histórico da imprensa de ser tribuna para debates e instrumento para movimentos que culminaram em conquistas expressivas para a sociedade. Nesse sentido, documentos fundamentais dos profissionais de imprensa se destacam nesse assunto, como nos Princípios Internacionais da Ética Profissional no Jornalismo, texto obtido em debates promovidos pela Unesco, na década de 1980. Luiz Martins reforça que, especialmente em um momento como este, é necessária maior responsabilidade. “A imprensa livre e responsável é uma das instituições-garantia dos direitos do cidadão e uma das instituições formadoras de um sistema republicano e democrático”. 

O documento traz que: “Informação em jornalismo é compreendida como bem social e não como uma comodidade, o que significa que os jornalistas não estão isentos de responsabilidade em relação à informação transmitida e isso vale não só para aqueles que estão controlando a mídia, mas em última instância para o grande público, incluindo vários interesses sociais”. Ainda, segundo o documento, a responsabilidade social do jornalista requer que ele ou ela agirão debaixo de todas as circunstâncias em conformidade “com uma consciência ética pessoal”. Portanto, é responsabilidade do jornalista, ir a fundo na verdade e transmitir as informações de maneira clara e objetiva para que todos tomem conhecimento. E, nesse cenário, a liberdade de expressão e o trabalho da imprensa profissional são fundamentais, fomentando debates com informações confiáveis.

Além disso, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, de agosto de 2007 (1997), também apresenta o tema. No Artigo 2º explicita a responsabilidade social do jornalismo: “Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que: […] III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão”. 

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Ambos os documentos apresentados, Princípios Internacionais da Ética Profissional no Jornalismo e o Código de ética dos Jornalistas Brasileiros, caracterizam o jornalismo como atividade social e, de forma explícita ou implícita, também estabelecem uma relação entre esta responsabilidade social e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E dessa forma, Luiz Martins explica que são várias as responsabilidades sociais do jornalista. “Primeiramente, para com o seu decoro profissional, enquanto repórter; depois, para com o público, seu principal destinatário; seguinte, para com a informação enquanto elemento para o debate livre das ideias, por sua vez, insumo indispensável para o funcionamento de uma esfera pública política e para a formação de uma opinião pública”.






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