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Brasil

Departamento de Controle Aéreo já previa crise do setor

Arquivo Geral

11/07/2007 0h00

Antes mesmo do acidente com o avião da Gol no ano passado, order o Comando da Aeronáutica já previa a crise que atingiu os aeroportos brasileiros. “Nós estávamos no limite. Tanto de controladores, more about quanto dos aeroportos e da malha aérea”, admitiu o brigadeiro Ramón Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Ele prestou depoimento hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo da Câmara.

Apesar da Aeronáutica já ter alertado para a necessidade de maiores investimentos, o crescimento da aviação civil no país superou todas as previsões, segundo o brigadeiro. Enquanto a média mundial subiu 6% ao ano, a brasileira cresceu 12%. “O número de vôos e de aviões está aumentando muito mais do que se imaginou. Para 2007, prevemos crescer 17%”.

Cardoso não quis apontar um único responsável pelos atrasos e cancelamentos de vôos. Para ele, a crise aérea é resultado de uma soma de fatores, entre os quais ele destacou o gerenciamento do fluxo aéreo, a incapacidade dos aeroportos de atender ao aumento do número de passageiros e, principalmente, a falta de controladores de vôos.

Alegando que viajar de avião no Brasil é seguro e que os equipamentos não estão obsoletos, Cardoso afirmou que a contratação de pessoal é mais urgente que a substituição de aparelhos. “Nossos equipamentos já estão sendo implantados considerando o que vamos precisar até 2017. Estamos colocando monitores em número suficientes para atender a demanda dos próximos dez anos, mas é preciso gente para trabalhar”.

De acordo com o brigadeiro, seria necessário contratar 600 novos controladores até o final de 2008. “De imediato, para atender as necessidades atuais, precisamos de 200 controladores”. No entanto, desses, apenas 60 serão contratados ainda este ano, revelou Cardoso. Ele estima que os 600 novos profissionais só estejam à disposição em meados de 2009.

Cardoso explicou que embora a Aeronáutica esteja “acelerando” a formação dos novos profissionais, isso não significa nenhum risco para a aviação. “Estamos aperfeiçoando nossa tecnologia para que os controladores possam simular a atividade durante o curso e já chegar prontos para trabalhar, sem a necessidade de treinar no local”.

Responsável por comandar os quatro Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindactas) existentes no país, Cardoso explicou que a média de acidentes aéreos está entre as mais baixas do mundo. Enquanto a média mundial gira em torno de um acidente por milhão de decolagens, no Brasil o índice seria de 0,87. Pouco acima da Europa, com 0,6, e quase o dobro dos Estados Unidos, o mais seguro, com média de 0,45.

O brigadeiro também afirmou que a previsão de recursos orçamentários para 2007 são suficientes para o Decea executar as ações necessárias. Segundo ele, o governo teria se comprometido a não reter verbas ou realizar cortes no orçamento do setor até 2010.

Alegando que o Decea necessita de cerca de R$ 600 milhões por ano, Cardoso revelou que o Tesouro “guardou” em torno de R$ 364 milhões arrecadados com a cobrança de tarifas aeroportuárias e que não foram autorizadas a serem gastos. “Este valor vai ser devolvido em três parcelas iguais até 2009. O que vai nos dar a possibilidade de acelerar nossos planos”.

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