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Delegados da PF estão ‘mais confortáveis’ com condução de Mendonça no caso Master, diz ADPF

Paiva disse ainda que o relator anterior, ministro Dias Toffoli, tomou decisões “atípicas” que estavam prejudicando o andamento das apurações.

Redação Jornal de Brasília

27/02/2026 13h23

Foto: STF

O diretor da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, afirmou nesta sexta-feira, 27, que os investigadores da PF do inquérito sobre o Banco Master estão “mais confortáveis” com a condução do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Paiva disse ainda que o relator anterior, ministro Dias Toffoli, tomou decisões “atípicas” que estavam prejudicando o andamento das apurações.

O diretor da ADPF citou, por exemplo, as ordens de Toffoli para realizar uma acareação dos investigados antes da colheita dos depoimentos, com perguntas definidas pelo ministro, a lacração de celulares apreendidos e a escolha de peritos para analisar o material.

“O conjunto de decisões nos levou a nos manifestar, mesmo sem conhecer a investigação, porque entendemos que estava prejudicando o bom andamento da investigação e as prerrogativas da delegada, que é o que mais interessa a nós”, afirmou Paiva, em conversa com jornalistas.

Questionado sobre a atual condução de André Mendonça, ele afirmou: “Internamente me parece que o pessoal está mais tranquilo, está mais confortável”.

“Quero acreditar que o ministro Mendonça, que foi AGU, que foi ministro da Justiça, vai aplicar o direito. Eu não quero exigir que o ministro siga tudo que a polícia quer fazer, mas que ele siga decisões normais. Então, quando ele indeferir uma medida, ele fundamente por que foi indeferido. Que não venham situações atípicas, como ocorreram anteriormente”, disse Paiva.

Lei antifacção

Paiva também fez críticas ao resultado do projeto de lei antifacção, aprovado na última quarta-feira, 24, pela Câmara. O texto retira recursos da PF e reparte os valores arrecadados com Estados e municípios.

“Só aumento de pena não resolve o problema”, afirmou Paiva. “Se você não tiver condições de descobrir o crime, vai aplicar a pena em quem?”, questionou.

O projeto relatado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) foca no recrudescimento de penas para faccionados e incrementa as fontes de financiamentos das polícias nos Estados, mas sem aprimorar os recursos da PF.

Ele criticou a retirada de artigos acrescentados no Senado que haviam sido solicitados pela PF para fortalecer as investigações, como as regras para infiltração de policiais em organizações criminosas e para produção de provas.

Estadão Conteúdo.

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