Na avaliação do delegado Alexandre Gusman, cheapest da delegacia de Campos Elíseos, order na Baixada Fluminense, a chacina ocorrida no final da noite de sábado (21), em Duque de Caxias (RJ), foi comandada provavelmente por um policial militar que integrava a mesma quadrilha de extermínio da qual fazia parte o sargento da Polícia Militar Adilson Soares dos Santos – um das sete pessoas executadas durante a ação dos bandidos.
Alexandre Gusman ouve, neste momento, Marcus Aurélio Pinto, uma das sete pessoas feridas e que estavam no local no momento da chacina.
A execução aconteceu em um bar onde o sargento estava reunido com outras quatro pessoas – três das quais foram assassinadas ainda dentro do estabelecimento. As outras quatro pessoas mortas foram atingidas na rua, onde também se encontravam as sete que escaparam com ferimentos diversos.
A polícia trabalha com a possibilidade de que uma cisão dentro da quadrilha tenha sido o motivo dos crimes.
“A gente está seguindo uma linha de investigação que indica a existência de um racha, uma dissidência, entre duas facções de um grupo de extermínio que agia na região e que acabou gerando essas mortes. São duas facções brigando pela hegemonia desse grupo de extermínio”, disse o delegado.
Os policiais da 60ª delegacia já vinham investigando o sargento assassinado, desde o início do mês, quando a polícia e os bombeiros descobriram um cemitério clandestino utilizado pela quadrilha para esconder os corpos de suas vítimas.
Para saber o grau de envolvimento das pessoas que estavam no bar com o grupo de extermínio o delegado também ouve os dois empregados que trabalhavam no local no momento da ação dos bandidos.
Segundo informações da polícia, os bandidos chegaram ao bar encapuzados e fortemente armados. Eles perguntaram pelo PM e depois abriram fogo contra todos os que estavam no estabelecimento.
No ataque, também morreram Leonardo Batista Pinto, 26 anos; Alberto Santos Barreto, 22 anos; Anderson da Costa Melo, 26; e Tiago Batista, 21.
Marcelo Santos Barreto, 37 anos, chegou a ser levado com vida para o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois. Wanderson Vicente Machado, 34 anos, chegou a ser atendido, mas também não resistiu aos ferimentos e morreu no início da tarde de ontem (22).
Os crimes ocorreram pouco mais de três anos depois de uma outra chacina que abalou a cidade. Em 31 de março de 2005, 28 pessoas foram executadas por um grupo de extermínio formado por policiais militares em ataques nos bairros de Nova Iguaçu e Queimados. Essa foi a maior chacina já registrada no município do Rio de Janeiro.
Até o momento, dois policiais militares foram julgados e condenados: o soldado Carlos Jorge de Carvalho e o cabo José Augusto Moreira Felipe, condenados a 540 anos de prisão pelos três crimes que foram acusados (assassinato, tentativa de homicídio e formação de quadrilha).
A Justiça absolveu o terceiro acusado de participar da chacina: o também soldado da Polícia Militar Fabiano Gonçalves Lopes, pelos crimes de tentativa de homicídio e das 28 mortes ocorridas em março de 2005. Lopes foi condenado apenas pelo crime de formação de quadrilha e terá de cumprir pena de sete anos de prisão.
A Justiça do Rio ainda deve julgar mais dois acusados pelos três crimes de Nova Iguaçu e Queimados: o cabo Marcos Siqueira Costa e o soldado Júlio César Amaral de Paula. Outros dois policiais foram processados apenas pelo crime de formação de quadrilha: os cabos Gilmar Simão, já morto, e Ivonei de Souza.