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Brasil

De beneficiário do Bolsa Família a diplomata: história de superação

A trajetória de Douglas Rocha Almeida exemplifica o poder transformador das políticas sociais no Brasil.

Redação Jornal de Brasília

20/03/2026 16h41

douglas almeida

Foto: Fabio Miranda – Sesai/MS

A história de Douglas Rocha Almeida, de 31 anos, ilustra o impacto das políticas sociais brasileiras na promoção da mobilidade social. Beneficiário do Bolsa Família durante a infância em Luziânia, no interior de Goiás, Douglas superou desafios familiares e se tornou diplomata no Ministério das Relações Exteriores em janeiro de 2025.

Nascido em uma família humilde, Douglas viu os pais, Francisca Aparecida Ferreira Rocha, diarista, e Neilson Cardoso Almeida, pedreiro, enfrentarem dificuldades após a separação. O benefício do Bolsa Família foi essencial para evitar a fome e garantir o acesso à educação. ‘Era com o benefício que eu comprava as coisas para casa, comprava comida, material escolar’, relatou a mãe.

Aluno de escolas públicas, Douglas se mudou para o Distrito Federal no ensino médio, onde dois tios ingressaram na universidade, inspirando-o. Ele cursou Letras/Espanhol na Universidade de Brasília (UnB) e, impulsionado pelo interesse em Relações Exteriores, utilizou o Programa Universidade para Todos (ProUNI) para obter uma bolsa integral em uma instituição particular, formando-se na área.

O sonho da diplomacia exigiu dedicação. Enquanto trabalhava como garçom, Douglas se preparou para o concurso do Itamaraty, um dos mais rigorosos do país, que demanda conhecimento em Geografia, História, Política, Economia e fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras, incluindo o inglês. Após quatro tentativas, ele foi aprovado em 2025, beneficiado por uma bolsa de R$ 30 mil do Instituto Rio Branco para candidatos negros com bom desempenho.

Agora, como terceiro-secretário no Curso de Formação de Diplomatas (CFD), Douglas reconhece o papel das políticas públicas. ‘Porque minha mãe foi beneficiária do Bolsa Família, hoje eu estou em uma das carreiras mais bem remuneradas do Executivo, conquistada com muito suor, muito estudo, mas não foi só, nem principalmente o esforço individual’, afirmou.

Sua história se alinha a dados de um estudo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). Intitulado ‘Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa’, o levantamento revela que 70% dos adolescentes beneficiários em 2014 saíram do programa até 2025, promovendo autonomia financeira. Em média, 60,68% dos beneficiários de qualquer idade deixaram o programa no período, com taxas mais altas entre os jovens: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% de 15 a 17 anos.

‘Os filhos do Bolsa Família crescem e deixam o programa justamente pelo aumento de renda, por não precisarem mais do benefício. É isso que o Governo Lula trabalha para conquistar’, analisou o ministro Wellington Dias.

*Com informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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