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Crise econômica aumentará ocupações, prevê líder sem-terra

Desde o início da pandemia, obedecendo as recomendações de isolamento social, o MST freou o ritmo das ocupações

Pedro Lovisi
FolhaPress

O número de ocupações de terra pode crescer consideravelmente no ano que vem, quando houver desaceleração dos casos de coronavírus no país. Desde o início da pandemia, obedecendo as recomendações de isolamento social, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) freou o ritmo das ocupações.

Segundo Alexandre Conceição, da coordenação nacional do movimento, há aproximadamente 80 mil famílias sem terra na fila do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), esperando para serem encaminhadas a algum assentamento.

Com o aumento no preço dos alimentos e o alto índice de desemprego, a tendência, afirma Conceição, é que esse número aumente. “A fome está batendo nas cidades, e a crise social que vivemos é muito forte. Além disso, as áreas de produção de alimentos diminuíram no país.”

Atualmente, existem cerca de 9,4 mil assentamentos no Brasil, onde vivem 966 mil famílias. “Assim que as pessoas forem vacinadas, não tenha dúvida que o número de ocupações vai crescer muito. Não por um desejo pessoal, mas pela necessidade que o povo terá e para pressionar o governo que estiver no poder”, afirma o líder dos sem-terra.

Movimentos sindicais de agricultores familiares são mais cautelosos. Discute-se na Câmara dos Deputados um projeto de lei que, na visão desses sindicalistas, poderia considerar as ocupações de terra crimes terroristas.

O PL é de autoria do deputado Victor Hugo (PSL-GO), ex-líder do governo na Câmara, e tramita em uma comissão especial criada para discutir o texto.

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“Não sei se as ocupações voltarão com força. A gente está medindo muito isso porque será complicado. O governo tenta agora, a todo custo, aprovar essa lei”, pondera Alair Luiz dos Santos, secretário de Política Agrária da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares).

O presidente Jair Bolsonaro criticou inúmeras vezes as ocupações de terras e chamou integrantes do MST de terroristas. Na avaliação de Conceição, do MST, a lei vem para assustar, mas “o que mais assusta são a fome e a violência no país.”






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