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Coronavac mostra efetividade de 64% para evitar hospitalização de crianças

Não autorizada para menores Diferentemente do Chile, a Coronavac não teve aprovação para ser aplicada para crianças a partir de três anos

Por FolhaPress 25/05/2022 6h41
Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Samuel Fernandes
São Paulo, SP

Uma nova pesquisa investigou a efetividade (ou seja, a eficácia na vida real) de duas doses da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos durante o pico de transmissão da variante ômicron no Chile. Para evitar casos sintomáticos, a vacina teve uma taxa de 38%. Para casos mais graves, como barrar hospitalizações em UTIs, a efetividade foi de 69%.

O estudo foi publicado na revista Nature Medicine. No total, mais de 490 mil crianças de 3 a 5 anos compuseram a amostra. Desse número, cerca de 194 mil receberam duas doses da Coronavac entre 6 de dezembro de 2021 e 26 de fevereiro de 2022, período em que houve alta disseminação da ômicron no Chile. Além disso, 189 mil crianças não tomaram nenhuma dose.

Outros 106 mil menores tomaram somente uma dose durante o intervalo do estudo, mas eles não compuseram a análise da vacina.

Dessa forma, o estudo comparou a relação daqueles que tiveram o esquema vacinal primário completo com as crianças que não receberam nenhuma dose. Os cientistas se concentraram em três parâmetros: casos sintomáticos de Covid, hospitalização e admissão em UTIs.

Segundo as análises estatísticas, a Coronavac teve efetividade de 38% para prevenir casos sintomáticos, de 64% para evitar hospitalizações e de 69% para barrar as admissões em UTIs.

Os autores afirmam que o resultado da pesquisa indica que a vacina seria eficaz contra a Covid-19 entre os pequenos, inclusive durante o período de maior transmissão da ômicron.

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No entanto, eles também apontam algumas ressalvas. Uma delas é que o Chile concentrou os esforços em sequenciamento genômico de variantes basicamente para viajantes de outros países, ou seja, não foi possível ter essa informação precisa para a amostra do estudo.

Também é citado que a pesquisa não conseguiu avaliar por quanto tempo a proteção observada se mantém ou se seria preciso a aplicação de outras doses nessa faixa etária. Segundo os cientistas, outras pesquisas precisam ser feitas para averiguar esses pontos.

Não autorizada para menores Diferentemente do Chile, a Coronavac não teve aprovação para ser aplicada para crianças a partir de três anos no Brasil. O Instituto Butantan, responsável pela vacina no país, entrou com um pedido na Anvisa para aprovar o uso a partir dessa faixa etária. A agência, no entanto, autorizou somente para os maiores de seis anos e pediu mais dados ao instituto.

Além da Coronavac, somente a Pfizer no país pode ser aplicada em crianças e adolescentes a partir de cinco anos. Dessa forma, crianças abaixo dessa idade não podem ser imunizadas no país.

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Recentemente, a farmacêutica divulgou que três doses da vacina para crianças de 6 meses a 5 anos resultou em uma resposta imune parecida com duas doses em jovens adultos. Em outro estudo randomizado de fase 3, a vacina da Pfizer teve eficácia de 90% entre crianças de 5 a 11 anos.

No entanto, o país passa por uma baixa taxa de vacinação entre os menores –dados mostram que mais da metade deles podem estar com a segunda dose atrasada. Entre os mais jovens a situação também é de lentidão, já que somente 30% dos brasileiros com até 24 anos receberam a terceira dose.








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