Entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro, foi realizada a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater questões relacionadas ao clima. O encontro, que ocorreu em Glasgow, na Escócia, foi considerado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, como a “última chance de – literalmente – virar a maré”, referindo-se às mudanças climáticas que já afetam o mundo.
O objetivo do encontro era discutir ações para conter o aquecimento global a 1,5ºC, com base nas metas do Acordo de Paris, pacto assinado em 2015. Foram estabelecidas na COP regras para o mercado de carbono, promessas de reduzir o desmate e emissões de metano e houve avanços ao mencionar no texto final, pela primeira vez em um documento, os combustíveis fósseis.
O tema faz-se necessário devido às grandes catástrofes mundiais que têm sido registradas. Aumentou-se o número de queimadas, enchentes, alagamentos e outros fenômenos naturais que tem afetado diretamente a vida da população, segundo a advogada especialista em Integridade Corporativa e Compliance e mestranda em Direito e Políticas Públicas na linha de patologias corruptivas, Anna Bastos.
“Neste contexto, o Brasil tem se posicionado como um país que caminha na contramão mundial ao permitir o aumento do desmatamento, a redução da estrutura institucional de fiscalização e prevenção do desmatamento, a redução a meta de emissão de gás carbônico e o envolvimento com escândalos de corrupção, exploração ilegal de madeira, invasões de terras indígenas, garimpo ilegal, desrespeito as reservas ambientais, dentre outros”, explica a advogada Anna Bastos.
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Segundo Anna Bastos, as questões ambientais afetam diretamente a vida da população e impõem barreiras ao desenvolvimento de determinadas atividades econômicas. Segundo ela, o povo precisa estar atento à influência exercida por grandes grupos econômicos que adotam medidas como tráfico de influência, conflito de interesses e até corrupção para garantir que os seus objetivos econômicos sejam preservados.
“Nas circunstâncias atuais, o cenário extrapola a esfera econômica e atinge a questão da sustentabilidade do planeta. Nós, como sociedade, precisamos estar cada vez mais atentos com as políticas públicas climáticas e os interesses que estão em jogo. É necessário o desenvolvimento de uma consciência global sobre o clima e a efetiva fiscalização dos recursos públicos destinados ao enfrentamento da crise climática, bem como a apuração e responsabilização dos crimes de corrupção identificados. Corrupção e sustentabilidade não podem ocupar o mesmo espaço no cenário nacional”, esclarece a especialista do escritório de advocacia Anna Bastos.