A operação militar mobilizada pelo Brasil em sua fronteira com o Paraguai prejudica o fluxo comercial de Ciudad del Este para o país vizinho, order disseram à imprensa associações de comerciantes da região fronteiriça paraguaia.
O diretor do Câmara de Comércio de Tecnologia da Informação (CCTI) de Ciudad del Este, Adaílton Avelino, disse hoje ao jornal “La Nación”, de Assunção, que o controle das autoridades brasileiras não é contra o tráfico de drogas e armas, como argumentam, mas contra o comércio de Ciudad del Este, situada na região onde se encontram as fronteiras do Brasil, Argentina e Paraguai.
“É uma desculpa, porque os traficantes não vão operar justamente quando estão sendo feitos os controles. É uma medida mentirosa para transformar de novo Ciudad del Este em um bode expiatório e prejudicar o comércio”, disse Avelino.
O comerciante afirmou que a operação Fronteira Sul 1, que mobiliza cerca de 10.000 efetivos ao longo da fronteira com o Paraguai, assim como com a da Argentina, geraria perdas de US$ 30 milhões durante as semanas que durará.
Os militares, apoiados por fiscais da Receita Federal e pela Polícia Rodoviária, patrulham desde ontem as estradas, os rios e as vias vizinhas que ligam ao território paraguaio.
“Só 4% do contrabando que entra no Brasil é através de Ciudad del Este, e os outros 96% são produzidos nos portos e nos aeroportos”, disse Avelino.
Para as autoridades brasileiras, Ciudad del Este, o principal centro comercial do Paraguai, é a maior porta de entrada ao Brasil de contrabando, principalmente de material de informática e de produtos piratas.
Cerca de 35.000 sacoleiros atravessam todas as semanas para Ciudad del Este a fim de comprar mercadorias – que depois são distribuídas pelo Brasil a partir de São Paulo – até por um valor máximo por pessoa de US$ 300 diários.
“Se os brasileiros compram mais de US$ 300, é um problema deles com a Receita Federal, e os comércios de Ciudad del Este não devem pagar as conseqüências por isso”, disse Avelino.