Explica-se: antes de 2003, Sérvia e Montenegro competia como Iugoslávia. Tanto que foi com este nome que a equipe foi derrotada pelos próprios brasileiros na semifinal do Mundial de 2002. Desde que a Sérvia e Montenegro surgiu foram quatro jogos entre os times, sempre com vitória nacional. E esta é a última chance de o país derrotar o Brasil com este nome, ja que a partir do ano que vem a equipe competirá apenas como Sérvia devido ao desmembramento da nação, decidido em plebiscito realizado este ano.
Do grupo iugoslávo, derrotado há quatro anos, restam seis jogadores. “Este time de Sérvia e Montenegro é a base da Iugoslávia de 2002 com um central diferente (Bjelica no lugar de Mester)”, explica o técnico Bernardinho, que poderá contar com Gustavo, recuperado de uma contusão no pé esquerdo. “O resto do time é o mesmo. Eles têm um oposto pesado e forte no bloqueio, que é o Miljkovic, e jogadores importantes como os irmãos Grbic (Vladimir e Nikola) e o Geric (meio-de-rede), que joga com o Rodrigão no Macerata”, emenda.
Para o líbero Escadinha, esta experiência será um dos principais desafios do Brasil. “É um time que tem jogadores acostumados a disputar jogos importantes. Muitos atuam fora da Sérvia. Foram campeões olímpicos, merecem todo o respeito. Para batê-los, temos de pensar no nosso jogo e entrar no mesmo ritmo que entramos contra a Itália”, explica o brasileiro, lembrando do título conquistado pela Iugoslávia nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000.
Até agora, os sérvios e montenegrinos sofreram apenas uma derrota na competição, para a Polônia no encerramento da segunda fase do Mundial. “Eles estão jogando muito bem. Contra a Polônia já sabiam que estavam classificados e talvez por isso tenham perdido de 3 a 0. Eles têm um time muito forte e vamos ter de jogar muito bem para chegar à final”, aposta o ponta Giba, que marcou 75 pontos nos quatro jogos da segunda fase.
Melhor atacante do Mundial, Dante também não espera moleza. “Minha expectativa é de um jogo muito difícil. Vamos precisar de muita paciência porque eles têm bons jogadores. O oposto deles (Miljkovic) é um dos pontos fortes da equipe”, acredita.
Do lado adversário, o apoio partiu de um dos mais importantes dirigentes da Federação Internacional de Vôlei, o vice-presidente executivo Aleksander Boricic. “As nossas mulheres tiveram muito sucesso no Mundial e pela primeira vez ganharam uma medalha (bronze, na competição encerrada na metade de novembro, quando o Brasil ficou com o vice). Espero que os homens façam, no mínimo, o mesmo”, comentou o dirigente, que já foi presidente das Federações da Iugoslávia, da Sérvia e Montenegro e da Sérvia.
Contra a antiga Iugoslávia, o Brasil também leva vantagem no confronto, com 20 vitórias e apenas cinco derrotas. A última partida entre as duas equipes foi antológica: a final da Liga Mundial de 2003, que os brasileiros venceram por 3 sets a 2, com 31/29 no tie-break.
O adversário da equipe vencedora na decisão sairá do confronto entre Bulgária e Polônia, que será realizado às 4h (de Brasília). Os poloneses levam a vantagem de formar o único grupo ainda invicto na disputa. Por outro lado, os búlgaros querem aproveitar a nova chance de ganhar medalha em um grande torneio internacional, já que ficaram em quarto lugar na última Liga Mundial. “Acredito que o nosso melhor momento ainda está por vir”, afirmou o búlgaro Vladimir Nikolov, um dos destaques do time.
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