Diego Alejandro
Folhapress
Distribuidoras de energia elétrica em todo o país passarão a incluir o número 180 —canal de atendimento a mulheres em situação de violência— nas contas de luz, em uma iniciativa articulada com o governo federal no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.
A medida, já em implementação por algumas empresas desde março, leva às faturas a mensagem “Violência contra a mulher é crime. Não se cale. Denuncie. Ligue 180” e deve alcançar, com a adesão de todas as distribuidoras, mais de 212 milhões de pessoas.
Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, a estratégia busca ampliar o acesso à informação e facilitar denúncias, sobretudo em contextos de isolamento. “Quando essa informação chega de forma direta e permanente, aumentamos as chances de romper o ciclo da violência”, afirma a presidente da entidade, Patrícia Audi.
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, alta de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Anuário da entidade aponta ainda mais de 257 mil casos de lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica em 2024, além de 51 mil registros de violência psicológica.
O canal 180, coordenado pelo Ministério das Mulheres, realizou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025 —cerca de 3 mil por dia— e contabilizou 155 mil denúncias. Só em janeiro de 2026, foram 90,7 mil atendimentos e 15,5 mil denúncias.
Gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia, o serviço oferece orientação sobre direitos, informações sobre legislação e encaminhamento para a rede de proteção e autoridades. A expectativa é que, ao chegar diretamente às residências, a informação alcance mulheres que ainda enfrentam barreiras para denunciar ou não sabem onde buscar ajuda.