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Brasil

Com drone, homem monitora polícia na Baixada Fluminense e diz receber R$ 1.200 por mês do tráfico

Suspeito recebia valor para prestar o serviço a um chefe do tráfico conhecido como Flamengo, apontado como uma das lideranças do TCP na região

Redação Jornal de Brasília

01/09/2026 18h57

homem monitora polícia na baixada com drone

Foto: Divulgação/PMERJ

FOLHAPRESS

Um homem foi preso nesta segunda-feira (31) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ao confessar que operava um drone a mando do tráfico para monitorar a movimentação de policiais e de criminosos rivais no bairro Pantanal.

Segundo relatou aos agentes, ele recebia R$ 1.200 por mês para prestar o serviço a um chefe do tráfico conhecido como Flamengo, apontado como uma das lideranças do TCP (Terceiro Comando Puro) na região.

A prisão foi feita por equipes do Serviço Reservado do 15º BPM (Duque de Caxias), após monitoramento e diligências na área, onde ocorrem disputas territoriais entre facções rivais.

O suspeito foi abordado nas proximidades da rua Maria Fernandes no momento em que pilotava remotamente o equipamento, onde havia várias gravações de monitoramento de viaturas.

Ele e o drone apreendido foram encaminhados à 60ª DP (Campos Elíseos), onde o caso foi registrado. A Polícia Civil deve agora investigar a atuação do suspeito e o uso do equipamento pelo grupo criminoso.

Ele será representado pela Defensoria Pública na audiência de custódia, que ainda não foi realizada.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que “a apreensão evidencia o uso de novas tecnologias por grupos criminosos como ferramenta de vigilância e obtenção de informações estratégicas”.

“O emprego de drones pode ampliar a capacidade de monitoramento de áreas sob disputa territorial e permitir o acompanhamento da movimentação das forças de segurança e de grupos rivais”, acrescentou.

PARA EVITAR DRONES, CRIME COBRE RUAS

Levantamento da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil do Rio, mostrou que ruas e vielas do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, vêm sendo cobertas por estruturas para possivelmente dificultar o monitoramento por drones.

A comparação entre imagens de satélite de novembro de 2025 e registros aéreos de fevereiro de 2026 revela mudanças no intervalo de 84 dias —ruas que antes apareciam nas imagens ficaram encobertas por telhados, um antigo estacionamento ganhou cobertura. Há também o caso de uma laje que passou a ter uma piscina.

Segundo os investigadores, os telhados funcionam como blindagem contra ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais, mas também comprometem o monitoramento feito pela própria polícia.

O uso de drones por facções é monitorado pela polícia desde 2017, quando a corporação identificou a aquisição dos equipamentos por Peixão para monitorar rivais e agentes públicos.

Diante do crescimento dos episódios, a Polícia Civil formalizou em 13 de julho a criação da Coant, que reúne pilotos próprios e concentra o trabalho de inteligência sobre drones.

A estrutura já existia desde março, quando a corporação comprou seis drones chineses, dentro de investimento em tecnologia de R$ 2,1 milhões em dois anos.

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