FOLHAPRESS
Turistas holandeses que prestaram depoimento à Polícia Civil do Paraná sobre o acidente que deixou uma pessoa morta no Macuco Safari, no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), disseram não ter recebido orientações sobre o que fazer na hipótese de a embarcação virar. Também criticaram a qualidade dos coletes salva-vidas, que, segundo eles, não os ajudaram a flutuar no rio.
Trechos dos depoimentos foram divulgados pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (2). Em entrevista ao programa, o delegado Carlos Eduardo Pezzette Loro disse que já ouviu dois turistas, além do piloto e do copiloto. O acidente ocorreu dia 28 de julho.
“Eles disseram que tiveram extrema dificuldade em permanecer em cima da água. As correntezas levavam para baixo e os coletes não eram suficientes para mantê-los em cima. Engoliram bastante água”, disse Loro.
A concessionária responsável pelo passeio é a Ilha do Sol, que tem dito que cumpre todas as normas, como a utilização de coletes adequados colete classe 3 próprio para água fluvial. Também diz que os passageiros recebem orientações, ao contrário do que os turistas afirmaram nos depoimentos.
A Folha de S.Paulo perguntou nesta segunda-feira (3) à empresa qual é a orientação dada aos visitantes no caso de o barco virar e aguarda uma resposta.
Embora o inquérito ainda não esteja concluído, o delegado antecipou que a apuração aponta para o indiciamento dos gestores da empresa por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
“Por enquanto não há indícios de que os pilotos descumpriram alguma norma. Nós vamos direcionar a parte do homicídio culposo para aqueles que poderiam agir diferente no que tange às normas”, disse Loro ao Fantástico.
“Pelos depoimentos, faltam protocolos de segurança, orientação sobre o que fazer quando a embarcação virar, sobre como colocar o colete, sobre como verificar se o colete estava em condição de uso”, continuou o investigador.
No grupo de turistas holandeses estavam o jovem que morreu e a noiva, sogros e cunhada dele, além do namorado da cunhada e dos dois tripulantes. A Polícia Civil ouviu o pai da noiva e o namorado da cunhada.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o jovem se afogou e teve uma parada cardiorrespiratória.
A vítima se chama Mark Lensink, 25. Ele foi identificado oficialmente pela Polícia Científica do Paraná na quinta-feira (30). O corpo foi liberado naquele dia.
Ainda em entrevista ao Fantástico, o delegado afirmou que os dois turistas e os tripulantes mencionaram que o barco virou após ondas grandes. Em outra entrevista à imprensa local, o delegado já havia citado a influência de ventos fortes.
A empresa afirma que o volume de água no rio Iguaçu estava dentro dos parâmetros que permitem a navegação. As atividades de turismo náutico na região são interrompidas quando a vazão das cataratas ultrapassa 10 milhões litros por segundo.
Às 11h de terça, horário próximo ao acidente, a vazão estava em 4,3 milhões litros por segundo.
O monitoramento da água é realizado pela Copel (Companhia Paranaense de Energia) em estações de medição instaladas na região. Cerca de duas semanas atrás, devido às chuvas na região, a passarela turística das Cataratas do Iguaçu chegou a ser fechada temporariamente.
Segundo a Urbia Cataratas, concessionária que administra o parque, a interdição da passarela é avaliada sempre que a vazão do rio Iguaçu no trecho das cataratas está em torno de 8,5 milhões de litros de água por segundo, com tendência de aumento.
Além do inquérito policial, um inquérito administrativo aberto pela Marinha do Brasil também está em andamento para apurar as circunstâncias, causas e eventuais responsabilidades.
Os passeios foram retomados no sábado (1), após três dias suspensos em razão do acidente.
Segundo a empresa, durante os três dias foi feito um “acolhimento psicológico aos colaboradores, revisão minuciosa da frota, estudos sobre o comportamento das águas”. Também foi feito o reembolso de ingressos ou a relocação de datas para clientes.
Coletes não ajudaram a flutuar e faltaram orientações, dizem turistas de barco que virou em Foz do Iguaçu
Concessionária responsável pelo passeio diz que os passageiros recebem orientações, ao contrário do que os turistas afirmaram nos depoimentos
Foto: Reprodução/ Redes Sociais