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Brasil

CIDH realiza audiência sobre letalidade policial no Rio de Janeiro

A comissão debate violações de direitos humanos na Operação Contenção, que deixou 122 mortos em outubro do ano passado.

Redação Jornal de Brasília

11/03/2026 9h33

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Foto: Divulgação/ Polícia Militar de Pernambuco

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realiza nesta quarta-feira (11), em Cidade da Guatemala, uma audiência sobre as operações policiais no Rio de Janeiro, com foco na Operação Contenção. A sessão, parte do 195º Período Ordinário de Sessões da comissão, está marcada para as 19h no horário de Brasília e será transmitida pelo canal do YouTube da CIDH.

A Operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado, ocorreu em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense. Promovida pelas polícias Civil e Militar, a ação contra o Comando Vermelho resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais, 113 prisões e apreensões de 118 armas e uma tonelada de drogas. O governo do Rio classificou a operação como um sucesso, alegando que as vítimas reagiram com violência e ameaçaram a vida dos agentes, e que apenas os policiais foram vítimas nos confrontos.

No entanto, organizações da sociedade civil denunciam a operação como uma chacina, apontando a ausência de perícias independentes e investigações autônomas. Elas destacam tentativas de criminalização de familiares das vítimas, moradores e defensores de direitos humanos. Moradores relataram pânico na região devido a tiroteios intensos, que fecharam vias, escolas e comércios, e encontraram cadáveres degolados com sinais de execução.

Semanas após a operação, a CIDH visitou o Brasil para apurar abusos. Um relatório recente do órgão conclui que a ação não enfraqueceu o crime organizado, mas aprofundou o sofrimento comunitário, reforçou a desconfiança institucional e elevou a violência estatal. As organizações pediram a audiência para monitoramento contínuo, citando o descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal na ADPF nº 635, que visa reduzir a letalidade policial em favelas.

O Brasil já foi condenado pela Corte Interamericana nos casos das chacinas de Acari (1990) e Nova Brasília (1994 e 1995), ambas na zona norte do Rio.

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