Pioneiro na importação de cubanos para a adoção do projeto Médico de Família, há 18 anos, o município paulista de Pedreira, de 41.500 habitantes, na região de Campinas vai receber mais três médicos vindos de Cuba pelo Mais Médicos. O prefeito Carlos Pollo (PT) se inscreveu no programa depois que só um brasileiro se candidatou a uma das quatro vagas disponíveis no Programa Saúde da Família (PSF).
O epidemiologista Eduardo Francisco Mestre Rodríguez, que veio de Havana em 1995 para coordenar a implementação do serviço com mais cinco compatriotas – quatro médicos e um dentista – acabou ficando em Pedreira, onde se casou. “Não vim para clinicar, porque a lei brasileira proibia, na época, o exercício da medicina sem revalidação do curso, mas para coordenar a criação de um modelo de atendimento básico, assumido por colegas brasileiros.”
Rodríguez coordenou o PSF e em seguida foi diretor do Serviço de Saúde Mental em três administrações do ex-prefeito Hamilton Bernardes (na primeira pelo PMDB e nas outras duas pelo PSB), atualmente secretário de Finanças de Campinas. Economista, Bernardes entusiasmou-se com a figura do médico de família em Cuba e adaptou o modelo a Pedreira.
“A chave do programa é levar o médico à casa do doente para ele conhecer a situação em que vive a família, num enfoque clínico, epidemiológico e social, antes de receitar remédios”, explica Rodríguez.
A equipe de Saúde da Família tem um médico generalista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde. “Esses agentes foram um avanço do sistema brasileiro, não existem em Cuba, onde são os médicos que visitam as casas”, observa. Os agentes fazem o levantamento nos domicílios e preparam o diagnóstico para atendimento nos postos.
Na época da adoção do sistema, o índice de internações caiu 30% no hospital de Pedreira e o índice de mortalidade infantil também baixou. O município tem 60 médicos no serviço público, com salários em torno de R$ 10 mil, equivalente ao que o governo federal vai pagar aos estrangeiros. A prefeitura bancará moradia e alimentação para os profissionais cubanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.