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Chuvas melhoram reservatórios do Sul, mas Centro-Oeste ainda verá seca em outubro

Nessa área, a expectativa é que os reservatórios cheguem ao fim do próximo mês, com 12,6% de sua capacidade de armazenar energia

Por FolhaPress 24/09/2021 9h01
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Nicola Pamplona
RIO DE JANEIRO, RJ

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) informou nesta sexta-feira (24) que outubro deve trazer um bom nível de chuvas para a região Sul, ajudando a recuperar os reservatórios castigados pela seca nos últimos meses. Segundo o operador, porém, a previsão para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, consideradas a caixa-d’água do setor elétrico brasileiro, ainda é de chuvas abaixo da média. Nessa área, a expectativa é que os reservatórios cheguem ao fim do próximo mês, com 12,6% de sua capacidade de armazenar energia.

Os meses de outubro e novembro são cruciais para a travessia da crise energética. A partir daí, espera-se que as chuvas de verão reduzam a pressão sobre as hidrelétricas e ajudem a recompor os reservatórios. Em sua programação mensal da operação, o ONS vê chuvas perto da média em outubro no Sul, o que deve ajudar a elevar em 5 pontos percentuais o nível dos reservatórios da região, que chegariam ao fim do mês com 35,6% de sua capacidade de armazenar energia.

Já no Sudeste e no Centro-Oeste, as chuvas devem ficar em 57% da média histórica, reduzindo ainda mais o nível dos reservatórios, que nesta quinta (23) estavam em 17,48%. O Nordeste também perderá água, com os reservatórios chegando ao fim do mês em 26,1%, contra 42,75% nesta quinta.

Apesar dos apelos pela economia de energia, o ONS entende que a retomada do segmento de serviços e a manutenção da atividade industrial contribuirão para um aumento de 1,3% no consumo nacional de energia no mês que vem.

A maior alta, de 3,5%, deve ocorrer no Nordeste. A pior, de 0,4%, no Sudeste. Apesar da manutenção do quadro crítico, o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, disse nesta quinta que não há possiblidade de racionamento de energia no país em 2021. Ele não descartou, porém, apagões localizados em horários de pico.

“Esse período de outubro a novembro é mais crítico, a carga aumenta, o calor aumenta, o uso de ar condicionado aumenta, mas temos as termelétricas e acreditamos que teremos condição de enfrentar o atendimento com segurança”, afirmou.

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Em outubro, o governo deve realizar leilão emergencial para a contratação por cinco anos de térmicas que hoje estão sem contrato, mas vêm gerando energia a preços elevados para ajudar a enfrentar a crise. O leilão tem o objetivo de ajudar a encher novamente os reservatórios, que estão em níveis historicamente baixos. Com contratos mais longos, o governo espera reduzir o custo dessa energia emergencial.

Nesta quinta, em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um apelo para que a população economize eletricidade e pediu que as pessoas, se puderem, tomem banho frio. “Se puder apagar uma luz na tua casa apaga, eu peço por favor. Não use elevador. Tomar banho é bom, mas se puder tomar banho frio é muito mais saudável, ajuda o Brasil”, afirmou.

“A gente pede a Deus que agora em novembro, final de outubro, venha chuva para valer no Brasil. Para que a gente não tenha problema no futuro, que podemos ter problema no futuro”, disse Bolsonaro.

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