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Brasil

CFM não recomenda hidroxicloroquina, mas libera em três casos. Veja quais

Presidente do Conselho afirma que, dada a gravidade da pandemia do novo coronavírus, permitirá aos médicos que receitem o medicamento

Redação Jornal de Brasília

23/04/2020 13h12

CLOROQUINA CORONAVIRUS

Foto: Reprodução

Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (23), o Conselho Federal de Medicina (CFM) falou sobre o uso de hidroxicloroquina no tratamento contra a covid-19. O órgão afirmou que não recomenda o uso da substância, mas liberou os médicos a receitarem o medicamento em três casos específicos. São eles:

  • Paciente crítico, internado em UTI com lesão pulmonar estabelecida. A hidroxicloroquina pode ser usada pelos “por compaixão”. Isso ocorre quando o paciente já está fora de possibilidade terapêutica, e o médico, com autorização da família, utiliza a substância;
  • Paciente com que vai ao hospital com sintomas. Existe um momento de replicação viral em que a droga pode ser usada pelo médico com autorização do paciente e familiares;
  • Paciente com sintomas leves, parecidos com o da gripe. Nesse caso, o médico pode usar a hidroxicloroquina descartando a possibilidade de que tenha influenza A, B, ou dengue e H1N1. A decisão tem de ser compartilhada com o paciente

O presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, explicou a decisão. “O que estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto com seu paciente, em decisão compartilhada com seu paciente, utilizar essa droga. Uma autorização. Não é recomendação”, disse. Ribeiro afirma que não há “nenhuma evidência científica forte” de que a hidroxicloroquina é eficaz contra o novo coronavírus. 

“É uma droga amplamente utilizada para outras doenças, já há 70 anos, mas em relação ao tratamento da Covid não existe nenhum ensaio clínico, prospectivo, randomizado, feito por grupos de pesquisadores de respeito, com trabalhos publicados em revistas de ponta, que apontem qualquer tipo de benefício da hidroxicloroquina no tratamento da Covid.”

Segundo o presidente do conselho, a autorização para o uso da substância se deu com base em estudos observacionais. Ribeiro afirmou que o uso só foi liberado em razão da pandemia e que, em outras situações, “muito provavelmente”, a entidade não autorizaria.

Dados as três exceções acima citadas, o CFM esclareceu que não indica o uso da hidroxicloroquina para pessoas que querem se prevenir do novo coronavírus. “Não existe qualquer indicação do uso preventivo da hidroxicloroquina em relação à Covid. Isso é consenso em qualquer literatura do mundo”, afirmou o presidente do CFM.

Efeitos colaterais

Ribeiro também falou sobre efeitos colaterais. “Os efeitos colaterais existem, são graves, mas são raros. E existem inúmeros relatos observacionais na literatura”, explicou. “Nós não podemos desprezar essa informação neste momento, devido ao quadro sui generis que estamos passando em razão de uma doença totalmente desconhecida”.

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