Em menos de dois meses, mais de 4 milhões de candidatos devem fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Até lá, o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília e a Cesgranrio – que juntos vão aplicar, corrigir e divulgar os resultados das provas – terão muito trabalho pela frente. Os testes vão acontecer simultaneamente em 1.829 municípios brasileiros.
O Cespe será responsável por aplicar as provas para 1,9 milhão de estudantes, distribuídos em 1.105 municípios de 18 estados: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.
Todas as redações serão corrigidas pelo Cespe. O sistema de correção desenvolvido pelo órgão garante agilidade e segurança ao processo. Os textos escritos chegam a uma área sigilosa do órgão da UnB, onde todos são escaneados e salvos no programa de correção.
Esse sistema é acessado via internet por professores de Língua Portuguesa de todo o país – que são treinados e já trabalham com o Cespe em outros concursos. Ao todo, 2,8 mil professores devem participar da correção do Enem. Cada texto será lido por dois corretores diferentes. Caso haja grande discrepância entre as notas atribuídas por cada professor (que seguem uma cartilha de correção definida pelo Cespe), haverá uma terceira correção.
Exército
Para dar conta de acolher os candidatos que participarão do Enem, 4 mil escolas serão alocadas. Funcionários do Cespe estão envolvidos em uma força-tarefa para organizar a infraestrutura de aplicação dos testes. O órgão terá de contratar um verdadeiro exército de 300 mil colaboradores (coordenadores, aplicadores de provas, inspetores de segurança, porteiros, auxiliares de limpeza, médicos e seguranças) para trabalharem nos dias 5 e 6, quando os candidatos farão as provas.
No sábado, os alunos responderão a questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. Os testes terão início às 13h e terminarão às 17h30. No domingo, eles fazem as avaliações de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, de Matemática e suas Tecnologias e a redação. Por isso, ganham tempo extra (uma hora) para responder à prova.
Contrato
Nos próximos dias, o Cespe e a Cesgranrio devem assinar um contrato com o Ministério da Educação para executar o Enem. Esse documento deve definir a data de divulgação dos resultados do exame e o valor que será pago pelo MEC às instituições responsáveis pela aplicação das provas.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 14 de outubro, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu que o Estado tenha uma estrutura própria para atuar na organização de concursos. Ele citou o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) e a Escola de Administração Fazendária (Esaf) como exemplos de instituições que acumularam inteligência suficiente para garantir a segurança de processos seletivos.