No próximo dia 29, medical entra em vigor a Lei Federal 11.664/2008, page que obriga a rede pública de saúde em todo o território nacional a realizar exame mamográfico gratuitamente para mulheres acima dos 40 anos. E, pill uma recente pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha para a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), indica que a mulher não se cuida como deveria. “Entre as entrevistadas, 31% nunca realizaram exames para detecção, principalmente aquelas que dependem do sistema público de saúde. E uma das principais razões colocadas foi por achar que ela não corre nenhum risco”, ressalta a médica Maira Caleffi, especialista em Mastologia e presidente da Femama.
Outro ponto é que apenas uma em quatro mulheres se exercita, por exemplo. E, lamentavelmente, até mesmo o próprio médico não está influenciando a decisão das mulheres pela mamografia.
A pesquisa da Femama, divulgada no último dia 1º, entrevistou mais de 1.800 mulheres de 35 a 65 anos de idade e de 17 capitais brasileiras, onde a entidade possui representação regional, e identifica as atitudes relativas aos cuidados da mama e ao diagnóstico precoce da doença. A pesuisa contou com a consultoria da Sustentabilidade, Estratégia e Inovação (SEI).
“Pela primeira vez no País, estamos traçando o cenário do câncer de mama nos grandes centros urbanos. Infelizmente, os resultados são ruins”, lamenta Maira Caleffi.
Desinformação
Os resultados apresentados na pesquisa ilustram uma realidade em que não há uma preocupação profunda no combate à doença, uma vez que a mulher não tem o devido cuidado com sua saúde. Além disso, a pesquisa demonstra a falta de conhecimento de como detectar corretamente o câncer de mama ainda em estágio inicial.
“Os cuidados com a saúde ainda não são prioridade na agenda das brasileiras. Parece que o estereótipo da rainha do lar, que controla e resolve os problemas de todos os membros da família, mas esquece dos seus, continua arraigado”, afirma a presidente da Femama.
Dessa forma, a mastologista diz que o mito de que câncer é sinônimo de morte ainda é forte. “As mulheres precisam saber que hoje existem tratamentos específicos para cada tipo de câncer e que aumentam a possibilidade de cura. E mais devem saber que, se diagnosticado precocemente, as chances de cura chegam a 95%”, salienta Maira Caleffi. “E o exame correto para detectar a doença logo no início é a mamografia”, completa.
Tratamentos
Os resultados encontrados na pesquisa do DataFolha reforçam hipóteses levantadas pela pesquisa do Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama (GBCAM), também divulgada neste mês e que analisou mais de 4 mil casos de tratamento com mulheres com câncer de mama tratadas em 28 hospitais públicos e privados de 14 cidades brasileiras entre os anos de 2001 e 2004.
Os resultados revelam que 30% dos tumores ainda são diagnosticados em estágio inicial contra uma média de 12% nos EUA. Em relação ao diagnóstico da doença, por exemplo, 36% das mulheres do SUS descobrem o tumor em estágio avançado, contra 16% nos serviços privados. No sistema público de saúde as mulheres também são submetidas a mais mastectomias (retirada total das mamas), 63% contra 48%. A pesquisa indica, ainda, que a sobrevida livre de doença e a sobrevida global nessas instituições são diferentes, com sobrevida inferior nos hospitais públicos.